Nova tabela do crédito imobiliário Itaú entrou em vigor nesta quinta-feira (29), as partem de 12,95% ao ano + TR para clientes segmentados e com relacionamento, podendo chegar a 14,85% ao ano + TR para não correntistas ou clientes fora de segmentos especiais. A mudança acontece três dias após reajuste anunciado pelo Bradesco.
O Itaú anunciou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, uma nova política de taxas para o crédito imobiliário. A mudança acontece apenas três dias depois de o Bradesco elevar os juros de seus financiamentos, trazendo novamente preocupação para brasileiros que pretendem comprar um imóvel.
Com a atualização, a taxa mínima residencial do Itaú para clientes fora de segmentos especiais passou de 11,99% para 12,95% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR). O aumento foi de 0,96 ponto percentual.
O comunicado enviado aos parceiros imobiliários apresenta condições diferentes conforme o perfil do cliente, o tipo de imóvel e a modalidade de financiamento. Na tabela, algumas operações chegam a 16,80% ao ano mais TR.
A decisão ocorre em meio à elevação dos juros futuros no mercado financeiro, movimento que influencia diretamente o custo dos recursos utilizados pelos bancos para financiar imóveis.
Quais são as novas taxas do crédito imobiliário do Itaú?
A nova política de taxas do Itaú contempla diferentes modalidades de financiamento, incluindo imóveis residenciais, comerciais e operações destinadas a pessoas jurídicas.
No financiamento residencial pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), as condições começam em 11,95% ao ano mais TR para funcionários do banco.
As taxas partem de 12,95% ao ano + TR para clientes segmentados e com relacionamento, podendo chegar a 14,85% ao ano + TR para não correntistas ou clientes fora de segmentos especiais.
Confira os percentuais anunciados:
| Modalidade | Segmento | Taxa anual a partir de |
|---|---|---|
| Residencial SAC | Funcionário | 11,95% + TR |
| Residencial SAC | Private | 12,89% + TR |
| Residencial SAC | IP | 12,95% + TR |
| Residencial SAC | IU e IA | 13,25% + TR |
| Residencial SAC | NCC | 14,85% + TR |
| Comercial SAC | Todos | 15,80% + TR |
| Repasses e Piloto | Private | 12,89% + TR |
| Repasses e Piloto | Demais segmentos | 12,95% + TR |
| Repasse Verde | Todos | 12,89% + TR |
| Residencial MIX | Todos | 16,30% + TR |
| Comercial MIX | Todos | 16,80% + TR |
| Mutuário PJ — MIX | Todos | 15,80% + TR |
Fonte: Itaú — Nova Política de Taxas
do Crédito Imobiliário, vigente a partir de
29/10/2026. Taxas iniciais sujeitas às condições
e à análise de crédito da instituição.
A tabela também apresenta uma modalidade vinculada à remuneração da poupança, cuja composição deve ser avaliada separadamente das operações corrigidas pela TR.
Os percentuais são referências iniciais. A taxa efetivamente oferecida depende da análise de crédito, das características da operação e do relacionamento do cliente com o banco.
Itaú aumenta juros após reajuste anunciado pelo Bradesco
A mudança ocorre poucos dias depois de o Bradesco anunciar uma atualização expressiva em suas condições de financiamento imobiliário.
Na segunda-feira (26), o banco elevou de aproximadamente 11,69% para 15% ao ano mais TR a taxa mínima aplicada à maior parte dos clientes.
O reajuste de 3,31 pontos percentuais chamou atenção do mercado pelo tamanho da alteração.
No Itaú, a elevação foi menor, mas também representa um encarecimento do crédito para compradores que dependem de financiamento bancário.
A sequência de anúncios preocupa profissionais do setor imobiliário porque Bradesco e Itaú estão entre as instituições privadas com maior participação no financiamento habitacional brasileiro.
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os dois bancos responderam, juntos, por 41,4% das concessões de crédito imobiliário com recursos da poupança entre janeiro e agosto de 2026.
Por que o Itaú decidiu alterar os juros?
O Itaú relacionou a atualização às oscilações recentes nas curvas de juros futuros, que registraram forte elevação após o segundo turno das eleições presidenciais.
Essas taxas refletem as expectativas do mercado financeiro sobre o custo do dinheiro nos próximos anos e influenciam a captação de recursos utilizada pelos bancos.
Como os financiamentos imobiliários podem ter prazos superiores a 30 anos, as instituições precisam considerar os custos de manter operações de crédito por períodos prolongados.
Além dos recursos da poupança, os bancos utilizam instrumentos financeiros, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), para financiar suas carteiras habitacionais.
Quando o custo desses recursos aumenta, as instituições podem revisar os juros cobrados dos compradores.
O Itaú informou que a atualização procura acompanhar as condições atuais de captação, preservando a sustentabilidade de suas operações.
Embora os reajustes tenham ocorrido após as eleições, isso não significa que o resultado eleitoral seja o único fator responsável pelas mudanças.
O que muda para quem pretende financiar um imóvel?
O aumento dos juros pode afetar diretamente o valor das prestações e a capacidade de financiamento dos compradores.
Uma família que realizou uma simulação antes da atualização das taxas pode encontrar condições diferentes ao solicitar uma nova proposta.
Dependendo da renda e do comprometimento financeiro, o comprador poderá precisar de uma entrada maior ou escolher um imóvel de menor valor.
Para entender o impacto, considere um financiamento de R$ 400 mil, com prazo de 30 anos, pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).
Em uma simulação simplificada, utilizando taxas efetivas anuais de 11,99% e 12,95%, a primeira prestação passaria de aproximadamente R$ 4.907 para R$ 5.198.
Isso representa uma diferença próxima de R$ 291 na primeira parcela.
A simulação não considera TR, seguros, tarifas e outros custos da operação. Os valores efetivos dependem das condições contratuais.
Além da prestação mensal, o aumento dos juros também pode elevar o custo total do financiamento ao longo dos anos.
Corretores de imóveis precisam ficar atentos às novas condições
As alterações anunciadas pelo Itaú e pelo Bradesco também exigem atenção dos corretores de imóveis e das imobiliárias.
Clientes que estavam negociando a compra de uma propriedade podem precisar atualizar suas simulações para verificar se continuam enquadrados nas condições de financiamento.
Uma mudança na taxa de juros pode alterar o valor aprovado pelo banco e comprometer negociações que pareciam próximas da conclusão.
Por isso, é importante verificar a validade das propostas, as condições aplicáveis a cada cliente e o Custo Efetivo Total (CET) antes da assinatura dos contratos.
Também é recomendável comparar diferentes instituições financeiras, já que as taxas e os critérios de aprovação não são necessariamente iguais.
Outros bancos também podem alterar os juros do financiamento imobiliário?
Depois dos anúncios de Bradesco e Itaú, cresce a atenção sobre possíveis mudanças nas condições oferecidas por outras instituições financeiras.
O Santander informou que acompanha os indicadores econômicos e os movimentos do mercado de crédito imobiliário, mas não havia anunciado reajuste semelhante até esta quinta-feira (29).
O Sicredi também indicou que não previa alterações imediatas em seus spreads.
As decisões dos bancos dependerão da evolução dos juros futuros, dos custos de captação e das estratégias comerciais de cada instituição.
Para compradores, construtoras e corretores de imóveis, o cenário reforça a importância de acompanhar as condições de financiamento antes de concluir uma negociação.
Com dois dos principais bancos privados do país alterando suas taxas em menos de uma semana, o custo do crédito imobiliário volta a ocupar posição central nas decisões de quem pretende comprar a casa própria.
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