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Fim do fiador? Aluguel consignado avança e pode mudar o mercado de locação no Brasil

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Fim do fiador? Aluguel consignado avança e pode mudar o mercado de locação no Brasil

Modelo aprovado pela Câmara prevê desconto do aluguel diretamente na folha de pagamento e surge como alternativa às garantias tradicionais; proposta ainda precisa passar pelo Senado.

Encontrar um imóvel para alugar pode ser relativamente simples. O problema, muitas vezes, começa quando chega a hora de apresentar uma garantia aceita pelo proprietário ou pela imobiliária.

Fiador, caução e seguro-fiança fazem parte há décadas da rotina do mercado de locação. Agora, uma nova modalidade pode alterar essa dinâmica: o chamado aluguel consignado, que prevê a possibilidade de desconto dos valores da locação diretamente da remuneração do inquilino.

A proposta avançou no Congresso Nacional e foi aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto segue para análise do Senado e, portanto, a modalidade ainda não está valendo. A Câmara confirma que o PL 462/11 foi aprovado pelos deputados e encaminhado para análise dos senadores.

Apesar disso, a possibilidade já chama a atenção do setor imobiliário porque pode facilitar o acesso à locação para parte dos brasileiros e oferecer uma nova alternativa para reduzir o risco de inadimplência.

Como funcionaria o aluguel consignado?

A lógica lembra a dos empréstimos consignados. Em vez de depender do pagamento mensal realizado pelo próprio inquilino, o valor relacionado à locação poderia ser descontado diretamente de sua remuneração.

O texto aprovado estabelece que as consignações para pagamento do aluguel e encargos locatícios devem respeitar o limite de 30% da remuneração disponível. Também permite que mais de um locatário componha a garantia, respeitando o limite individual de cada participante.

Na prática, o mecanismo busca proporcionar maior previsibilidade de recebimento ao proprietário e, ao mesmo tempo, criar uma alternativa para pessoas que encontram dificuldades para apresentar as garantias tradicionalmente exigidas.

A proposta alcança trabalhadores e também prevê a utilização da modalidade por aposentados e pensionistas, conforme as condições estabelecidas no texto.

Fiador pode perder ainda mais espaço

O aluguel consignado chega justamente em um momento no qual as garantias locatícias estão passando por transformação.

Durante décadas, encontrar alguém disposto a assumir a responsabilidade como fiador foi praticamente uma etapa obrigatória para muitos brasileiros que queriam alugar um imóvel. Nos últimos anos, porém, alternativas como seguro-fiança e diferentes soluções digitais passaram a disputar esse espaço.

Caso o aluguel consignado seja definitivamente aprovado e tenha adesão relevante, o mercado poderá ganhar mais uma opção.

Isso não significa necessariamente o fim do fiador. Existem diferentes perfis de locatários, imóveis, proprietários e operações, e nenhuma modalidade atende igualmente a todos eles.

O que pode mudar é o peso que cada garantia possui dentro do mercado.

Modalidade pode alcançar milhões de brasileiros

O potencial de alcance é um dos fatores que mais despertam atenção.

Estimativas atribuídas à Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) apontam que o aluguel consignado poderia alcançar até 20 milhões de brasileiros. A entidade também trabalha com a perspectiva de redução próxima de 4% no custo médio dos contratos.

Em discussões anteriores sobre a proposta, representantes ligados ao setor chegaram a estimar uma economia de R$ 4,5 bilhões em juros, caso o modelo ganhe escala.

É importante destacar, entretanto, que esses números são projeções. O impacto real dependerá da aprovação definitiva, da regulamentação e, principalmente, da adesão do mercado.

O que pode mudar para as imobiliárias?

Para imobiliárias e administradoras de imóveis, talvez esteja aí uma das partes mais interessantes da discussão.

Boa parte do processo de uma nova locação envolve análise cadastral, comprovação de renda, definição da garantia e avaliação do risco do contrato. Dependendo da situação, justamente essa etapa pode impedir que uma negociação avance.

Uma modalidade baseada no desconto em folha pode modificar parte desse processo.

Isso não significa que análise cadastral ou gestão de risco deixarão de existir. Imobiliárias continuarão precisando avaliar cada operação, acompanhar contratos e proteger os interesses dos proprietários.

O aluguel consignado deve ser entendido, portanto, como mais uma ferramenta possível, e não como substituto de todos os procedimentos atualmente utilizados.

Seguro-fiança e caução vão acabar?

Não há indicação de que isso aconteça.

Mesmo se o aluguel consignado virar lei, as demais modalidades continuarão sendo importantes para diferentes perfis de clientes.

Autônomos, empresários, profissionais sem remuneração consignável e outros grupos podem continuar dependendo de alternativas como caução, seguro-fiança ou outras garantias permitidas pela legislação.

Proprietários e administradoras também continuarão avaliando qual solução oferece as condições mais adequadas para cada contrato.

Por isso, falar em “fim do fiador” ainda é precipitado.

O movimento mais provável é uma diversificação ainda maior das alternativas disponíveis para viabilizar uma locação.

Menos barreiras podem significar mais negócios

Para o corretor de imóveis, existe outro ponto importante nessa discussão.

Toda dificuldade adicional na aprovação aumenta o risco de desistência. O interessado encontra o imóvel, negocia valores, entrega documentos e, eventualmente, não consegue concluir a locação porque não atende às exigências da garantia.

Quando isso acontece, todos perdem tempo: o interessado continua procurando, o imóvel permanece disponível, o proprietário mantém a vacância e a imobiliária não conclui o negócio.

Se novas modalidades conseguirem reduzir essa barreira sem comprometer a segurança do proprietário, o mercado poderá ganhar velocidade.

Isso pode representar menos tempo de imóvel vazio, mais contratos concluídos e novas oportunidades para aumentar as carteiras de administração.

Locação passa por uma transformação maior

O aluguel consignado não é uma mudança isolada. Nos últimos anos, a locação incorporou assinatura eletrônica, vistorias digitais, novas garantias, plataformas de gestão, análise automatizada de informações e diferentes tecnologias para atendimento e administração.

Agora, outros movimentos prometem acelerar ainda mais essa transformação. A Inteligência Artificial começa a entrar na rotina das imobiliárias, enquanto a Reforma Tributária exige atenção para mudanças que podem afetar proprietários, administradoras e profissionais do setor.

Para quem trabalha diariamente com locação, acompanhar essas transformações deixou de ser apenas uma questão de curiosidade. Entender o que está mudando pode influenciar processos, custos, riscos e oportunidades de negócios.

Congresso reúne profissionais para atualização sobre o novo mercado de locação

É justamente em meio a tantas mudanças que acontece, no próximo dia 10 de setembro, o Congresso Brasileiro de Locação e Administração de Imóveis, com participação presencial em São Paulo e online para profissionais de todo o Brasil.

A proposta é promover um dia de capacitação e atualização para corretores de imóveis, gestores e imobiliárias, abordando assuntos que estão impactando diretamente a atividade.

A programação reúne conteúdos sobre Reforma Tributária, Inteligência Artificial e gestão de dados, aspectos jurídicos, contratos de locação, vistorias, rescisão, locação por temporada, construção de carteira e estratégias para aumentar o faturamento com locação.

Mais do que discutir tendências, o objetivo é preparar os profissionais para um mercado que está se tornando mais tecnológico, profissionalizado e competitivo.

Os inscritos na edição de 2026 também terão acesso às gravações das edições de 2024 e 2025, ampliando a capacitação para além do dia do evento.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site oficial do Congresso Brasileiro de Locação e Administração de Imóveis.

O aluguel consignado já está valendo?

Ainda não. Esse é um ponto importante para evitar interpretações equivocadas. A aprovação pela Câmara dos Deputados não significa que o aluguel consignado já possa ser utilizado como uma modalidade prevista pela nova proposta.

O PL 462/11 foi encaminhado ao Senado. Somente depois da conclusão da tramitação legislativa e das etapas posteriores aplicáveis será possível saber qual será o texto definitivo e quando as novas regras poderão efetivamente entrar em vigor.

Até lá, corretores, imobiliárias, proprietários e inquilinos devem acompanhar a tramitação e trabalhar de acordo com as regras atualmente vigentes.

O que já pode ser observado é uma tendência mais ampla: o mercado brasileiro de locação está procurando novas formas de reduzir burocracia, facilitar o fechamento dos contratos e oferecer segurança para proprietários e inquilinos.

Talvez o fiador não esteja chegando ao fim. Mas o período em que ele praticamente reinava sozinho entre as opções utilizadas pelos brasileiros parece estar cada vez mais distante.

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