Publicidade
Início Mercado Imobiliário Google começa a mostrar imóveis diretamente na busca. É o começo do...

Google começa a mostrar imóveis diretamente na busca. É o começo do fim dos portais imobiliários?

0
Google começa a mostrar imóveis diretamente na busca. É o começo do fim dos portais imobiliários?

Experiência lançada nos Estados Unidos permite encontrar imóveis dentro do próprio buscador e levanta uma questão importante para o mercado brasileiro: o que acontece com os portais se o Google decidir avançar também sobre os classificados imobiliários?

Durante anos, a jornada digital de quem procura um imóvel seguiu praticamente o mesmo caminho. O cliente pesquisa no Google algo como “apartamento à venda”, “casa para alugar” ou o nome de um empreendimento, encontra entre os primeiros resultados um grande portal imobiliário e continua sua busca dentro dessa plataforma.

Uma novidade que está avançando nos Estados Unidos mostra que esse modelo pode começar a mudar. O Google passou a exibir imóveis à venda diretamente nos resultados de pesquisa em dispositivos móveis, aproximando o consumidor das propriedades e dos profissionais responsáveis pelos anúncios sem que seja necessário começar a busca em um portal imobiliário.

A experiência ainda é voltada ao mercado americano e não há anúncio de que será lançada no Brasil. Mesmo assim, o movimento merece atenção por aqui. Afinal, se existe uma empresa capaz de mudar a maneira como os brasileiros procuram imóveis na internet, essa empresa é justamente aquela onde boa parte dessas buscas já começa: o Google.

O Google está entrando em um território que sempre foi dos portais

Nos Estados Unidos, a novidade permite que determinadas pesquisas apresentem propriedades diretamente dentro do ambiente do Google, com fotos, preços, características e informações que ajudam o consumidor a encontrar o imóvel desejado.

O mais importante não é exatamente como funciona o sistema americano, mas a mudança de comportamento que ele representa. O Google deixa de atuar apenas como uma ponte entre quem procura um imóvel e os sites que possuem os anúncios e começa a testar uma posição mais próxima daquela ocupada pelos próprios classificados imobiliários.

Para entender o tamanho dessa mudança, basta imaginar o mesmo modelo funcionando no Brasil.

Uma pessoa pesquisa “apartamento à venda em Moema até R$ 1 milhão”. Em vez de encontrar apenas links patrocinados e resultados de grandes portais, ela poderia visualizar diretamente no Google uma seleção de imóveis disponíveis, com fotos, preços, localização e informações do corretor ou da imobiliária responsável.

Se encontrar o que procura ali, talvez nem precise entrar em um portal.

É justamente aí que começa a discussão sobre o mercado brasileiro

Hoje, grandes portais ocupam uma posição estratégica no mercado imobiliário nacional. Eles concentram uma enorme quantidade de imóveis e investem pesadamente para atrair consumidores interessados em comprar ou alugar.

Para corretores e imobiliárias, essa audiência tem valor. O profissional anuncia porque precisa estar onde o consumidor está procurando.

O que o movimento do Google coloca em discussão é justamente essa lógica.

Se o próprio buscador começar a organizar imóveis e aproximar diretamente consumidores de profissionais, surge um novo concorrente pela geração de leads imobiliários. E não seria um concorrente qualquer, mas a plataforma que já ocupa o início de uma parcela significativa da jornada digital do consumidor.

Hoje, quando alguém procura um apartamento em determinado bairro, os portais disputam para aparecer nas primeiras posições do Google. Em um cenário futuro, eles poderiam passar a disputar espaço com os próprios imóveis apresentados pelo buscador.

O corretor de imóveis poderia anunciar o imóvel diretamente no Google?

Essa talvez seja uma das questões mais interessantes para quem trabalha no mercado imobiliário brasileiro.

Atualmente, muitos corretores de imóveis e imobiliárias investem simultaneamente em portais, Google Ads, Meta Ads, redes sociais e outras ferramentas para gerar contatos. Cada canal possui seu custo, suas regras e sua capacidade de gerar negócios.

Se um modelo semelhante ao americano fosse disponibilizado no Brasil, o Google poderia se tornar mais um canal direto de distribuição da carteira de imóveis.

Em vez de pagar apenas para promover o site da imobiliária ou uma página específica, o profissional poderia, dependendo de como um eventual produto fosse estruturado no país, colocar a própria oferta imobiliária diante de uma pessoa que naquele momento está procurando exatamente aquele tipo de imóvel.

Isso mexeria diretamente com uma das principais fontes de receita dos portais: a venda de exposição e geração de leads para o mercado imobiliário.

Mas isso significa o fim dos portais imobiliários?

Não. Pelo menos não da maneira como muitas vezes se imagina quando surge uma nova tecnologia.

Os grandes portais brasileiros possuem audiência, marca, aplicativos, bases de imóveis, relacionamento com imobiliárias e incorporadoras e uma quantidade enorme de dados sobre o comportamento de quem procura imóveis.

Além disso, o consumidor não utiliza um portal apenas porque encontrou aquele endereço no Google. Muitas pessoas acessam diretamente essas plataformas porque já estão acostumadas com seus filtros, mapas, alertas e ferramentas de pesquisa.

O risco está em outra questão: perder parte do controle sobre o início da jornada.

Durante muitos anos, possuir uma grande quantidade de anúncios foi uma vantagem competitiva enorme. Agora, se buscadores e plataformas de inteligência artificial conseguirem acessar, interpretar e organizar essas informações, simplesmente possuir os anúncios pode não ser suficiente.

Os portais terão que entregar cada vez mais valor além da publicação do imóvel.

A inteligência artificial torna essa disputa ainda mais interessante

Existe outra transformação acontecendo ao mesmo tempo. A inteligência artificial está mudando a maneira como as pessoas procuram informações na internet.

O mercado imobiliário sempre trabalhou com filtros. Cidade, bairro, preço, número de dormitórios, metragem, vagas de garagem e dezenas de outras características ajudam o consumidor a reduzir milhares de anúncios até encontrar algumas opções.

A inteligência artificial pode inverter essa lógica.

Em vez de preencher uma sequência de filtros, uma pessoa poderá simplesmente informar: “quero um apartamento de dois dormitórios na Zona Sul de São Paulo, próximo ao metrô, até R$ 750 mil, com condomínio de no máximo R$ 900 e uma varanda”.

A plataforma poderá interpretar o pedido e procurar as propriedades que mais se aproximam daquele perfil.

Nesse cenário, talvez o consumidor não queira visitar cinco portais e repetir os mesmos filtros em cada um deles. Ele poderá esperar que uma única ferramenta encontre as melhores opções disponíveis.

É aí que Google, inteligência artificial e mercado imobiliário começam a se encontrar.

Os portais imobiliários brasileiros precisarão se reinventar?

Provavelmente já estão fazendo isso.

A tendência é que os grandes players deixem cada vez mais de ser apenas classificados para se transformar em plataformas completas de serviços imobiliários. Financiamento, avaliação, dados de mercado, gestão de leads, aluguel, crédito, serviços para proprietários e ferramentas para profissionais passam a fazer parte dessa estratégia.

Quanto mais fácil ficar encontrar um imóvel em diferentes plataformas, menor tende a ser o valor de simplesmente possuir uma página com milhares de anúncios.

O diferencial passa a estar na experiência, nos dados, nos serviços e principalmente na capacidade de transformar uma busca em negócio.

Isso também ajuda a explicar por que a disputa pelo mercado imobiliário digital provavelmente ficará mais intensa nos próximos anos.

Para corretores e imobiliárias, depender de um único canal pode ser cada vez mais arriscado

Existe uma lição importante nesse movimento para os profissionais brasileiros.

Durante diferentes períodos, o mercado ficou dependente de determinadas fontes de clientes. Primeiro vieram os classificados impressos, depois os portais imobiliários, as redes sociais e os mecanismos de busca. Agora, inteligência artificial e novas formas de descoberta começam a entrar nessa equação.

Nenhuma dessas ferramentas necessariamente elimina a anterior. O que muda é a distribuição da atenção do cliente.

Por isso, corretores e imobiliárias que constroem presença digital própria podem estar mais preparados para essas transformações. Um bom site, posicionamento no Google, avaliações de clientes, presença nas redes sociais, produção de conteúdo e uma base própria de contatos ajudam a diminuir a dependência de qualquer plataforma específica.

Os portais continuarão importantes. O Google continuará importante. As redes sociais também. A diferença é que provavelmente ficará cada vez mais perigoso depender exclusivamente de apenas um deles.

O que aconteceu nos Estados Unidos pode ser um sinal do que vem pela frente

Não existe, neste momento, indicação de que o Google vá reproduzir no Brasil exatamente o modelo que está utilizando no mercado americano. Os dois mercados possuem estruturas bastante diferentes e a forma de distribuição das informações imobiliárias também não é a mesma.

Por isso, seria precipitado anunciar o fim dos portais imobiliários brasileiros.

Mas seria igualmente precipitado ignorar o movimento.

O Google já sabe o que as pessoas estão procurando, possui uma das maiores plataformas de publicidade do mundo, domina a busca na internet e está incorporando inteligência artificial aos seus produtos. Se conseguir adicionar a essa estrutura uma oferta organizada de imóveis, passa a ocupar uma posição ainda mais poderosa na jornada imobiliária.

A grande questão talvez não seja se os portais vão acabar. É saber quem será responsável por conectar o consumidor ao imóvel nos próximos anos.

Durante muito tempo, essa função esteve concentrada nos classificados e portais imobiliários. O movimento que começa nos Estados Unidos mostra que essa posição está sendo disputada.

E, se essa disputa chegar ao Brasil, pode mudar não apenas o futuro dos portais, mas também a maneira como corretores e imobiliárias anunciam imóveis e conquistam clientes.

O futuro da busca por imóveis também estará em debate no SEBRAMI

O avanço do Google sobre a busca por imóveis, o crescimento da inteligência artificial e as mudanças na forma como consumidores encontram corretores e imobiliárias são alguns dos sinais de que o mercado imobiliário digital está entrando em uma nova fase.

Esse será, inclusive, um dos temas abordados no próximo SEBRAMI – Seminário Brasileiro do Mercado Imobiliário, que acontece nos dias 11 e 12 de novembro, em São Paulo. O evento reunirá profissionais e especialistas para discutir as transformações que já estão impactando o setor e o que corretores e imobiliárias precisam acompanhar para não perder espaço diante das novas tecnologias e mudanças no comportamento do consumidor.

Em um mercado no qual Google, portais, redes sociais e inteligência artificial começam a disputar cada vez mais a atenção de quem procura um imóvel, entender como se posicionar nos novos canais pode se tornar uma vantagem competitiva para os profissionais do setor.

Saiba mais em: https://sebrami.com/

Deixe um comentário sobre esse assunto