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Vai comprar imóvel? Desconto nas negociações chega a 14% e comprador ganha espaço para pechinchar

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Vai comprar imóvel? Desconto nas negociações chega a 14% e comprador ganha espaço para pechinchar

Pesquisa mostra que 65% das transações residenciais tiveram algum abatimento sobre o preço anunciado; desconto médio entre os negócios negociados chegou ao maior patamar da série

Quem está procurando um imóvel para comprar pode encontrar mais espaço para negociação em 2026. Dados da pesquisa Raio-X FipeZAP mostram que 65% das transações residenciais realizadas nos 12 meses encerrados em junho tiveram algum desconto em relação ao preço anunciado.

O número ficou acima dos 63% registrados um ano antes e também superou a média histórica da pesquisa, de 64%. Mais do que aumentar a quantidade de negócios com abatimento, cresceu também o tamanho do desconto obtido pelos compradores.

Entre as vendas nas quais houve negociação do preço, o desconto médio chegou a 14% no segundo trimestre de 2026, contra 11% no mesmo período de 2025. O percentual igualou os maiores níveis já registrados pela pesquisa, observados em 2016 e 2020.

Quanto 14% de desconto representa na prática?

A diferença pode ser significativa. Em um imóvel anunciado por R$ 500 mil, por exemplo, um abatimento de 14% representaria R$ 70 mil, levando o preço para R$ 430 mil. Em uma propriedade de R$ 800 mil, a diferença chegaria a R$ 112 mil.

Mas existe um cuidado fundamental na interpretação desses números: isso não significa que todo comprador conseguirá negociar 14% de desconto.

O percentual de 14% considera somente as transações em que efetivamente houve redução em relação ao preço anunciado. Quando entram no cálculo também os negócios fechados sem nenhum abatimento, o desconto médio fica em 9%.

Além disso, cada imóvel possui características próprias. Localização, conservação, procura na região, tempo de anúncio, necessidade do vendedor e até a forma de pagamento podem influenciar quanto espaço existe para negociar.

Preço anunciado não é necessariamente preço de fechamento

Os dados chamam atenção para uma diferença importante no mercado imobiliário: o preço pelo qual um imóvel é anunciado não necessariamente será aquele efetivamente pago pelo comprador.

A pesquisa mostra justamente que a negociação continua tendo um papel relevante na conclusão dos negócios. Ao mesmo tempo, 73% dos entrevistados consideravam os preços dos imóveis altos ou muito altos, segundo os dados do segundo trimestre.

Isso pode fazer com que compradores sejam mais seletivos e vendedores tenham de avaliar propostas com maior atenção, especialmente quando um imóvel permanece muito tempo anunciado.

Por outro lado, oferecer simplesmente 14% abaixo do preço pedido porque essa é a média da pesquisa pode não ser uma boa estratégia. Um imóvel corretamente precificado e com grande procura pode ter pouco espaço para desconto, enquanto outro anunciado acima dos valores praticados na região pode permitir uma negociação bem maior.

Como saber se existe espaço para negociar?

Antes de fazer uma proposta, o comprador pode comparar imóveis semelhantes na mesma região e observar fatores como metragem, idade, estado de conservação, vagas de garagem e características do condomínio.

É justamente nessa etapa que o trabalho do corretor de imóveis pode fazer diferença. O profissional que conhece a região consegue apresentar referências de mercado e ajudar comprador e proprietário a entender se a proposta está dentro de uma faixa razoável.

Também vale observar possíveis despesas depois da compra. Um apartamento que precisa de reforma, por exemplo, pode justificar uma negociação diferente de outro pronto para morar. Da mesma forma, condições de pagamento e disponibilidade financeira do comprador podem influenciar a conversa.

A negociação tende a funcionar melhor quando a proposta possui argumentos, e não simplesmente quando o comprador apresenta um percentual aleatório de desconto.

Maioria dos imóveis comprados era usada

Outro dado interessante ajuda a entender o perfil dessas negociações. Entre os compradores pesquisados, 74% adquiriram imóveis usados, enquanto 26% compraram unidades novas. A moradia também continuou sendo a principal finalidade: 61% das aquisições foram destinadas ao uso próprio e 39% ao investimento.

Os números mostram um mercado no qual o comprador continua interessado em imóveis, mas está negociando mais antes de fechar negócio. A intenção de compra nos próximos três meses chegou a 38% dos entrevistados no segundo trimestre, patamar próximo da média histórica da pesquisa.

Para quem está procurando uma casa ou apartamento, portanto, o cenário reforça uma recomendação simples: o preço do anúncio pode ser o começo da conversa, e não necessariamente o valor final da negociação.

Pesquisar imóveis semelhantes, conhecer os preços praticados na região e apresentar uma proposta fundamentada pode representar uma economia importante. Só não vale transformar os 14% em uma regra geral: em alguns imóveis haverá espaço para negociar mais, em outros menos e alguns podem ser vendidos sem desconto algum.

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