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Imóvel estava há mais de um ano à venda. O que este corretor fez diferente?

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Imóvel estava há mais de um ano à venda. O que este corretor fez diferente?

Uma negociação que quase terminou sem venda mostra por que entender o momento do proprietário pode ser tão importante quanto saber vender um imóvel

No mercado imobiliário, é comum medir o trabalho do corretor pelo número de imóveis captados, visitas realizadas e vendas concluídas. Mas algumas negociações mostram que existe uma parte da profissão que dificilmente aparece nas estatísticas.

É a capacidade de entender o que está acontecendo com a pessoa que está do outro lado da negociação.

Ao longo dos anos acompanhando o mercado imobiliário, conheci muitos corretores e ouvi histórias que ajudam a explicar por que alguns profissionais conseguem construir relacionamentos duradouros com seus clientes.

Uma delas começou com uma casa que estava há mais de um ano à venda.

O problema não era apenas vender o imóvel

Vários corretores já haviam procurado a proprietária. O preço estava acima do praticado pelo mercado e havia outro obstáculo que não aparecia no anúncio: ela atravessava um momento financeiro delicado e precisava se mudar.

Ao mesmo tempo, tinha uma forte ligação emocional com a casa.

Para quem olhasse apenas para o imóvel, a solução poderia parecer simples: ajustar o preço, anunciar melhor, aumentar as visitas e negociar.

Mas havia uma pessoa que ainda precisava estar segura sobre uma decisão importante.

Foi nesse cenário que um corretor de imóveis conseguiu a exclusividade da venda.

Em menos de três meses apareceu uma proposta

O trabalho começou e, em menos de três meses, surgiu uma proposta de compra.

O valor, porém, ficou abaixo do que a proprietária esperava.

Ela hesitou.

O apego à casa voltou a pesar e, naquele momento, decidiu que não queria mais vender.

Para muitos profissionais, esse poderia ser o fim da história.

Depois de meses de trabalho, visitas, divulgação e negociação, a cliente simplesmente resolveu suspender a venda.

O corretor de imóveis tomou outro caminho.

Em vez de pressionar pela venda, o corretor esperou

Ele continuou próximo da proprietária, mas respeitou sua decisão.

Não transformou a comissão no centro daquela relação nem tentou acelerar uma escolha para a qual ela ainda não estava preparada.

Dois meses depois, foi a própria proprietária quem retomou o processo.

Uma nova proposta apareceu e, dessa vez, a negociação avançou até a conclusão.

A venda aconteceu.

Mas talvez o resultado mais importante daquela história tenha começado antes da assinatura do contrato.

O corretor conquistou algo que nenhuma campanha de marketing consegue comprar facilmente: confiança.

O proprietário nem sempre precisa apenas de um vendedor

Esse caso mostra uma situação frequente no mercado imobiliário.

Quem coloca um imóvel à venda pode estar enfrentando uma separação, mudança de cidade, dificuldades financeiras, inventário, crescimento da família ou simplesmente encerrando uma etapa importante da vida.

Para o corretor, aquele imóvel pode representar uma nova captação.

Para o proprietário, pode representar 20 ou 30 anos de sua história.

Essa diferença de perspectiva muda completamente o atendimento.

O profissional continua precisando dominar preço, documentação, negociação, divulgação e técnicas de venda. Mas também precisa descobrir em que momento da decisão aquele cliente se encontra.

Ele realmente quer vender?

Está preparado para ouvir que seu imóvel vale menos do que imaginava?

Existe alguma questão emocional dificultando a decisão?

Qual é o verdadeiro motivo da venda?

Essas informações dificilmente aparecem na matrícula do imóvel ou em uma análise comparativa de mercado.

Elas aparecem quando o corretor sabe ouvir.

Exclusividade não começa com a assinatura

Existe ainda outra lição nessa história.Muitos corretores enxergam a exclusividade principalmente como um contrato. Para o proprietário, entretanto, entregar um imóvel com exclusividade significa também escolher alguém para representá-lo em uma negociação de grande valor financeiro e, muitas vezes, emocional.

Por isso, conquistar uma exclusividade não deveria significar apenas convencer o proprietário a assinar um documento.

É necessário demonstrar por que ele pode confiar naquele profissional.

Quando isso acontece, o corretor de imóveis deixa de disputar somente pela comissão e passa a construir um relacionamento que pode continuar mesmo depois da venda.

Aquele proprietário pode comprar outro imóvel, vender novamente anos depois ou indicar o profissional para familiares e amigos.

O mercado imobiliário continua sendo um negócio de pessoas

A tecnologia mudou profundamente a profissão. Portais, redes sociais, inteligência artificial, automação e ferramentas de atendimento passaram a fazer parte da rotina do corretor de imóveis.

Mas nenhuma delas elimina um elemento básico da atividade: uma pessoa precisa confiar em outra para tomar uma das maiores decisões financeiras de sua vida.

Talvez por isso os corretores mais experientes tenham tantas histórias para contar.

Não são apenas histórias sobre imóveis vendidos.

São histórias sobre proprietários que desistiram e voltaram, compradores que tiveram medo de fechar, famílias que precisaram mudar de vida e negociações que exigiram muito mais do que uma boa argumentação comercial.

Um imóvel pode iniciar o relacionamento entre corretor e cliente.

A forma como o profissional conduz aquele momento é o que pode fazer esse relacionamento continuar depois que as chaves mudam de mãos.

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