Alerta foi feito por Diego Gama, diretor de Fiscalização Nacional do Conselho Federal de Corretores de Imóveis. Golpistas utilizam anúncios de imóveis e se passam por profissionais para tentar enganar compradores e locatários.
A facilidade para anunciar imóveis na internet trouxe inúmeras oportunidades para o mercado imobiliário, mas também abriu espaço para um problema que preocupa profissionais e consumidores: a atuação de falsos corretores.
Nesta sexta-feira (2), Diego Gama, diretor de Fiscalização Nacional do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), fez um alerta sobre a utilização da OLX por pessoas que se apresentam como profissionais do mercado imobiliário para aplicar golpes.
Segundo Gama, falsos corretores de imóveis utilizam a OLX como a maior fonte para esse tipo de golpe no Brasil. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Giro Imobiliário e repercutida nesta sexta-feira.
O problema vai além do exercício irregular da profissão. Dependendo da estratégia utilizada, o criminoso pode copiar anúncios e fotos de imóveis verdadeiros, criar ofertas falsas ou até utilizar indevidamente informações de profissionais que realmente possuem registro.
Falso anúncio de imóvel pode parecer verdadeiro
Esse é um dos fatores que tornam esse tipo de golpe perigoso.
O cliente encontra um imóvel na internet, vê fotografias, localização, descrição e um telefone para contato. A partir daquele momento, toda a negociação pode migrar para aplicativos de mensagens.
Para quem está procurando um imóvel, nem sempre é fácil perceber que a pessoa do outro lado da conversa não é responsável pela propriedade anunciada ou não possui autorização para realizar aquela intermediação.
Esse tipo de ocorrência não é uma preocupação nova dos Conselhos Regionais. O CRECI-CE, por exemplo, já alertou que golpistas podem publicar fotos verdadeiras de imóveis que não estão disponíveis para venda ou locação e solicitar pagamentos antecipados. O órgão também chama atenção para outra prática: o uso do número de CRECI pertencente a um profissional verdadeiro por terceiros. CRECI-CE
Isso significa que a existência de um número de registro em um anúncio, isoladamente, não garante que a pessoa com quem o consumidor está conversando seja realmente o profissional registrado.
Golpe também prejudica o corretor de imóveis verdadeiro
O problema atinge diretamente a imagem dos profissionais que trabalham regularmente no mercado.
Um golpista pode utilizar fotografias de imóveis anunciados por imobiliárias e corretores, copiar informações disponíveis publicamente e criar uma oferta semelhante para atrair interessados.
Em algumas modalidades, a vítima acredita estar negociando com um corretor legítimo até o momento em que realiza um pagamento ou descobre que o imóvel não estava sendo oferecido nas condições apresentadas.
Para o verdadeiro corretor, o prejuízo pode aparecer de outra forma. Seu nome, seus imóveis e até seus dados profissionais podem acabar associados a uma negociação da qual ele nunca participou.
Por isso, corretores e imobiliárias também precisam acompanhar onde seus imóveis estão sendo divulgados e ficar atentos quando clientes relatarem anúncios duplicados, preços muito diferentes ou contatos realizados por números desconhecidos.
Clientes podem consultar se o corretor de imóveis realmente existe
Uma das formas de reduzir o risco é confirmar a identidade do profissional antes de avançar na negociação.
A profissão de corretor de imóveis é regulamentada no Brasil e o exercício da atividade exige inscrição no Conselho Regional de Corretores de Imóveis.
Os próprios Conselhos orientam o consumidor a verificar o registro do profissional. A consulta permite conferir se a pessoa que está realizando a intermediação aparece no cadastro profissional.
Mas existe um cuidado adicional importante: não basta receber pelo WhatsApp um número de CRECI e acreditar que ele pertence àquela pessoa.
Nome, fotografia, número do registro e demais informações disponíveis precisam ser comparados com quem efetivamente está conduzindo a negociação.
Preço muito abaixo do mercado deve acender o alerta
Ofertas excessivamente vantajosas também merecem atenção.
O preço baixo pode ser utilizado como forma de criar urgência e fazer com que a vítima tente garantir rapidamente uma suposta oportunidade.
O CRECI-CE recomenda desconfiar de imóveis anunciados muito abaixo do valor praticado no mercado e evitar pagamentos antes de visitar a propriedade e verificar a identidade do profissional responsável pela negociação.
Para quem trabalha diariamente com imóveis, esse é também um argumento importante para orientar os próprios clientes.
Uma oferta extraordinariamente barata não deve eliminar etapas básicas de segurança.
Fiscalização contra falsos corretores de imóveis continua ocorrendo no país
Casos recentes mostram que o problema não está restrito à internet.
Em agosto deste ano, a fiscalização do CRECI-SC informou que documentos produzidos pelo Conselho ajudaram na condenação de uma mulher por exercício ilegal da profissão em Santa Catarina. Segundo o órgão, publicações em redes sociais integraram as provas analisadas no processo.
Em Alagoas, o CRECI também registrou neste ano operações contra pessoas suspeitas de exercer ilegalmente a atividade, incluindo ações realizadas em diferentes municípios do estado.
O próprio Sistema Cofeci-Creci mantém a fiscalização do exercício profissional entre suas atribuições, enquanto os Conselhos Regionais recebem denúncias relacionadas à atuação irregular.
Corretores de imóveis podem ajudar a combater os golpes
O avanço das negociações pela internet tornou o trabalho do corretor mais digital, mas também aumentou a importância de construir sinais claros de identidade e credibilidade.
Manter os canais oficiais atualizados, identificar corretamente os anúncios, orientar clientes sobre os meios de contato utilizados e acompanhar possíveis cópias das ofertas são medidas que podem ajudar.
Se um cliente encontrar o mesmo imóvel anunciado por outra pessoa, com preço muito abaixo ou condições completamente diferentes, vale investigar antes de simplesmente considerar o anúncio como concorrência.
Também é importante comunicar às plataformas e aos órgãos competentes situações suspeitas.
Para o consumidor, permanece uma recomendação simples: antes de transferir dinheiro ou assumir qualquer compromisso, confirme quem está intermediando o negócio e verifique o registro profissional.
Para os corretores de imóveis, o alerta feito pela fiscalização do Cofeci mostra outro lado do problema: combater falsos profissionais não protege apenas quem está comprando ou alugando. Também ajuda a preservar a credibilidade de quem exerce regularmente a profissão.
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