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Bancos querem adiar para 2028 novo modelo de crédito imobiliário

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Bancos querem adiar para 2028 novo modelo de crédito imobiliário

Instituições argumentam que juros ainda elevados dificultam a implantação das novas regras previstas para janeiro de 2027 e também querem mudanças no limite das taxas cobradas nos financiamentos

O novo modelo de crédito imobiliário brasileiro pode demorar mais do que o previsto para entrar plenamente em cena. Bancos que atuam no financiamento de imóveis discutem com o Banco Central a possibilidade de adiar em um ano o início das novas regras, atualmente previsto para janeiro de 2027.

Caso o pedido seja aceito, a implementação seria postergada para 2028.

A principal preocupação das instituições está no atual cenário de juros. Quando as mudanças foram desenhadas, em 2025, havia expectativa de uma redução mais rápida da taxa Selic. Esse movimento, entretanto, ocorreu de maneira diferente do esperado e os bancos avaliam que o novo sistema pode encontrar dificuldades para funcionar nas condições atuais.

Bancos também questionam teto de juros de 12%

O adiamento não é a única mudança em discussão. As instituições financeiras também defendem uma revisão do limite de 12% ao ano para determinadas operações de financiamento habitacional enquadradas no novo modelo.

Com a Selic ainda em patamar elevado, os bancos argumentam que esse teto pode reduzir a atratividade econômica das operações e limitar a capacidade das instituições de ampliar a oferta de financiamento imobiliário.

Entre as alternativas discutidas também aparece a possibilidade de acelerar a liberação de recursos atualmente recolhidos sobre os depósitos de poupança, aumentando a quantidade de dinheiro disponível para financiamento.

O que muda com o novo modelo de crédito imobiliário?

A reformulação começou a ser estruturada pelo governo e pelo Banco Central em 2025 e pretende mudar gradualmente a maneira como os recursos da poupança são utilizados no financiamento habitacional.

Hoje, a caderneta de poupança é uma das principais fontes de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com regras específicas de direcionamento para operações imobiliárias.

A Resolução CMN nº 5.255, publicada em outubro de 2025, alterou justamente regras relacionadas ao direcionamento dos depósitos de poupança e às operações realizadas dentro do SBPE, SFH e SFI.A intenção da mudança é criar, ao longo dos próximos anos, uma estrutura menos dependente do modelo tradicional de direcionamento obrigatório da poupança e ampliar as fontes de recursos disponíveis para financiar imóveis.

Discussão interessa diretamente ao mercado imobiliário

Para construtoras, imobiliárias, corretores e compradores, a discussão merece atenção porque a disponibilidade e o custo do crédito estão diretamente ligados ao volume de negócios no mercado imobiliário.

Mesmo antes da implantação definitiva do novo sistema, os bancos já vêm revisando condições de financiamento diante do ambiente de juros elevados.

O debate agora mostra que até mesmo as instituições financeiras enxergam dificuldades para realizar uma transição rápida enquanto o custo do dinheiro permanecer alto.

Isso significa que 2027, que inicialmente poderia marcar uma transformação importante na estrutura do crédito imobiliário brasileiro, pode acabar se tornando mais um ano de transição.

Banco Central ainda precisa decidir

Até o momento, não há decisão de adiamento.

O que existe é uma movimentação dos bancos para apresentar ao Banco Central propostas de ajustes no modelo, incluindo a postergação da entrada em vigor, mudanças no teto das taxas de juros e alterações no cronograma de liberação de recursos.

Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico e repercutidas pela Abecip, o Banco Central teria solicitado prazo para avaliar as reivindicações apresentadas pelo setor.

A decisão será acompanhada de perto pelo mercado imobiliário, porque qualquer mudança pode influenciar tanto o volume de recursos disponíveis quanto as condições oferecidas aos consumidores nos próximos anos.

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