Análise do Banco Safra aponta que mudanças no crédito imobiliário e maior tempo para conclusão dos financiamentos desaceleraram as vendas das construtoras no segundo trimestre de 2026, apesar da forte demanda por imóveis populares.
O Minha Casa, Minha Vida continua sendo o principal motor do mercado imobiliário brasileiro e mantém aquecida a demanda por imóveis populares. No entanto, o segundo trimestre de 2026 mostrou que o interesse pela compra da casa própria nem sempre se transforma em vendas efetivadas.
Segundo análise divulgada pelo Banco Safra, as restrições adotadas pela Caixa Econômica Federal no crédito imobiliário, somadas ao cenário econômico mais desafiador, reduziram o ritmo de comercialização das construtoras. O resultado foi um desempenho abaixo das expectativas, mesmo em um segmento que continua registrando elevada procura por imóveis.
Por que as vendas de imóveis desaceleraram?
De acordo com o relatório do Safra, um dos principais fatores foi a redução de aproximadamente 300 pontos-base no limite de comprometimento da renda permitido para financiamentos imobiliários.
Na prática, milhares de famílias passaram a ter mais dificuldade para obter aprovação do crédito ou reduziram o valor do imóvel que conseguiam financiar. Como consequência, as vendas das construtoras ficaram cerca de 7% abaixo das projeções do banco.
Apesar da ampliação das regras do Minha Casa, Minha Vida nos últimos anos, o acesso ao financiamento continua sendo um dos principais desafios para quem deseja conquistar a casa própria.
Demora na liberação dos financiamentos também preocupa o setor
Além das restrições de crédito, construtoras, incorporadoras e profissionais do mercado imobiliário também relatam um aumento no prazo para conclusão dos financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal.
Mesmo após a aprovação do crédito, muitos compradores têm aguardado mais tempo para a liberação dos recursos e a assinatura dos contratos. Esse intervalo acaba adiando a efetivação das vendas, afetando o fluxo de caixa das empresas e reduzindo o volume de negócios contabilizados dentro do trimestre.
Na avaliação do mercado, a combinação entre critérios mais rigorosos para concessão do crédito e maior tempo para conclusão das operações contribuiu para desacelerar um segmento que continua apresentando elevada demanda por moradia.
Lançamentos também perderam ritmo
Os lançamentos destinados ao público de baixa renda também registraram desaceleração.
Segundo o Banco Safra, houve retração de 1% em relação ao mesmo período de 2025 e desempenho 5% inferior às expectativas.
Entre os fatores apontados estão a suspensão temporária da emissão de alvarás de construção na cidade de São Paulo, que atrasou novos empreendimentos, além da estratégia das empresas de reajustar preços para compensar o aumento dos custos provocado pela inflação.
Velocidade de vendas caiu
Outro indicador importante do mercado é a Velocidade de Vendas sobre a Oferta (VSO), que mede o percentual de imóveis vendidos em relação ao estoque disponível.
No segundo trimestre de 2026, o índice caiu para 24,2%, registrando recuo tanto na comparação trimestral quanto anual.
Para os analistas, o dado demonstra que a demanda permanece forte, mas as dificuldades para obtenção e conclusão do financiamento impediram que parte dos compradores concretizasse a aquisição do imóvel.
Empresas sentiram impactos diferentes
Entre as construtoras acompanhadas pelo Banco Safra, a Tenda apresentou a maior desaceleração na velocidade de vendas durante o trimestre.
Já a Direcional registrou melhora na geração de caixa, embora suas vendas tenham ficado aproximadamente 12% abaixo das estimativas do banco. Segundo a análise, o resultado foi influenciado pela divisão dos empreendimentos realizados em parceria e pelo desempenho mais fraco da Riva, subsidiária da companhia.
O que muda para quem pretende comprar um imóvel?
Para quem pretende financiar um imóvel, o cenário exige mais planejamento.
Com critérios de crédito mais restritivos e processos que, em alguns casos, têm levado mais tempo para serem concluídos, especialistas recomendam que o comprador organize a documentação com antecedência, mantenha a renda comprovada atualizada e preserve uma boa capacidade financeira antes de iniciar a negociação.
Esses cuidados podem reduzir atrasos e aumentar as chances de aprovação do financiamento.
Mercado Imobiliário pode voltar a acelerar
Apesar dos desafios observados no trimestre, a perspectiva para o setor continua positiva.
O Banco Safra acredita que uma eventual flexibilização das restrições atualmente adotadas pela Caixa poderá estimular uma recuperação das vendas nos próximos meses.
Além disso, o Conselho Curador do FGTS deverá analisar propostas para reduzir as taxas de juros das faixas superiores do Minha Casa, Minha Vida, ampliando o acesso ao crédito imobiliário e fortalecendo ainda mais o programa.Minha Casa, Minha Vida continua sendo o principal motor do mercado imobiliário
Ao longo dos últimos anos, o Minha Casa, Minha Vida deixou de ser apenas um programa habitacional para se consolidar como uma das principais bases de sustentação do mercado imobiliário brasileiro.
O programa impulsiona a construção civil, gera empregos, amplia o acesso ao crédito subsidiado e proporciona maior previsibilidade para construtoras e incorporadoras.
Entretanto, especialistas ressaltam que o crescimento do setor depende não apenas da ampliação dos recursos destinados ao programa, mas também de maior agilidade na concessão dos financiamentos, segurança jurídica e investimentos em infraestrutura urbana, mobilidade, saneamento e serviços públicos.
O Minha Casa, Minha Vida segue sustentando a demanda por imóveis populares em 2026, mas o endurecimento das regras de crédito e o maior tempo para conclusão dos financiamentos pela Caixa Econômica Federal reduziram o ritmo das vendas das construtoras no segundo trimestre. Para especialistas, a combinação entre maior dificuldade de acesso ao crédito e demora na liberação dos recursos explica parte da desaceleração do setor. Caso as restrições sejam flexibilizadas e novas medidas do FGTS sejam aprovadas, a expectativa é de recuperação gradual do mercado imobiliário nos próximos meses.
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