O mercado imobiliário é a bola da vez entre os investimentos

Taxas de juros mais baixas e propostas atrativas de financiamento movimentam o setor, que espera retomada neste segundo semestre

Junho foi um mês marcado pelo otimismo no mercado imobiliário. Taxas de juros mais baixas, propostas atrativas de financiamento e prestações abundantes agitaram o setor, que espera um balanço positivo para 2020 mesmo com a crise causada pelo novo coronavírus. Álvaro Coelho da Fonseca, presidente da Coelho da Fonseca, ressalta que a expectativa positiva vale para todos os seguimentos. “Seja alta ou baixa renda, praia ou campo, primeiro ou segundo apartamento, há um interesse muito grande em investir em imóvel. Dadas as boas condições mercadológicas, esse é o momento”, apostou o empresário, durante a live De Olho no Mercado Imobiliário na Pandemia, realizada pelo Estadão Imóveis, na quinta-feira, 9 de julho.

Antonio Setin, presidente da Setin Incorporadora, destacou que a queda nas taxas de juros sempre valorizam os ativos imobiliários. “Na prática, estamos vivendo uma fase de juros quase negativos, considerando inflação e imposto de renda. Por isso, o mercado imobiliário é a bola da vez entre os investimentos e continuará sendo no pós-pandemia”, disse o empresário.

Além das condições econômicas favoráveis, o próprio contexto do distanciamento social foi responsável por esse aquecimento no mercado imobiliário. Passando mais tempo em casa, as pessoas começaram a observar mais de perto seus espaços e, com isso, têm buscado melhorias de infraestrutura e bem-estar. “A casa virou a solução neste momento de crise. Para se defender da ameaça do vírus, a saída foi passar mais tempo no imóvel. E, assim, surge a necessidade de dar um upgrade no jeito de morar”, opinou Setin.

Desafios – mercado imobiliário 

Mesmo com o mercado imobiliário aquecido, especialistas do setor destacam alguns dos desafios a serem enfrentados para os próximos anos. Um deles é a burocracia imposta pelo estado para a construção de novos empreendimentos. “Na construção civil, por exemplo, é muito complexo. Há muita carga tributária escondida por trás de produtos. E quem acaba sofrendo com isso é o consumidor final, porque esse custo é repassado para ele”, explicou Setin. “É preciso também ter mais fluidez e velocidade nos processos de licenciamento. Hoje, até coisas simples, como protocolar um projeto, é extremamente complicado.”

O arquiteto e urbanista Julio Neves ressaltou ainda que o novo plano diretor, previsto para o próximo ano, deve levar em conta esse crescimento do mercado imobiliário e trazer propostas de mudança inteligentes. “Acredito que o momento de crise serviu para repensar muita coisa daqui por diante. Isso vale para as propostas para o urbanismo. Precisamos de projetos mais adequados para atender essa demanda crescente do mercado imobiliário”, afirmou Neves. “É preciso levar em conta a disponibilização dos espaços, o planejamento, o zoneamento e os deslocamentos da população.”

Fonte: Estadão

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