Alta da Selic não deve afastar investidores do mercado imobiliário

Mercado imobiliário – O último aumento da taxa básica de juros (Selic), em 0,75 pontos percentual, não deve prejudicar as vendas de imóveis em Belo Horizonte. Apesar do reajuste e da previsão de que até o final do ano a taxa possa chegar até 5%, a demanda por imóveis está aquecida e, mesmo com a elevação, as taxas de financiamento ainda são consideradas baixas.

De acordo com o diretor da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG) e responsável pelo Instituto de Pesquisas Data Secovi, Leonardo Matos, mesmo com a mudança da taxa de juros, os imóveis seguem como uma opção interessante para investimentos de baixo risco e as taxas praticadas no mercado ainda são atrativas.

“Acreditamos que o aumento de 0,75 ponto percentual da taxa de juros não impactará a comercialização dos imóveis, mesmo com a previsão da Selic fechar o ano em até 5%. As taxas de financiamento continuarão muito baixas, se comparadas com outros anos. A expectativa também é que esse aumento ocorra de forma gradual” explicou.

Dentre os imóveis, a expectativa mais positiva é referente aos residenciais. Com a pandemia de Covid-19 e a maior adoção do trabalho remoto, muitas pessoas estão investindo em imóveis mais confortáveis e adaptados à nova condição de trabalho.

“Para 2021, acreditamos que a demanda pelos imóveis residenciais continuará aumentando, por se tratar de um bom investimento comparado com outros tipos de aplicações conservadoras e também porque estamos passando novamente por um lookdown, que faz com que as pessoas fiquem mais tempo em casa. Com a pandemia e as restrições adotadas, a casa, mais do que nunca, passou a ser mais valorizada. As pessoas buscam por conforto e estão aproveitando as taxas de juros ainda baixas”, disse.

Segundo os últimos dados disponíveis no Data Secovi sobre o mercado de imóveis em Belo Horizonte, no primeiro bimestre, avaliando todas as transações de vendas concretizadas, foi registrada alta de 22,4% na quantidade comercializada frente a igual período de 2020. Enquanto nos primeiros dois meses de 2020 foram vendidos 3.071 imóveis, no ano atual o volume chegou a 3.748.

Em relação aos preços médios dos imóveis, o valor nos primeiros dois meses de 2020 foi de R$ R$ 341 mil e, agora, subiu para R$ 355,6 mil, aumento de 4,5%.

Quanto aos imóveis residenciais, no primeiro bimestre, a alta nas vendas chegou a 26,6%, somando 3.229 unidades. No período, o preço médio chegou a R$ 375 mil, elevação de 4,2% frente aos R$ 360 mil registrados no mesmo intervalo de 2020.

Já os imóveis comerciais apresentaram queda de 0,4% nas vendas nos primeiros dois meses do ano em relação ao primeiro bimestre de 2020, com a venda de 519 unidades, ante as 521 registradas anteriormente.

Além disso, em Belo Horizonte, o valor médio do imóvel comercial apresentou redução de 12,09% no valor nos dois primeiros meses do ano, sendo a média de preço de R$ 182 mil, ante R$ 209 mil registrada entre janeiro e fevereiro de 2020.

“Essa queda é reflexo da pandemia, da maior adoção do home office e do comércio fechado. Com as restrições, houve um aumento da desocupação dos imóveis comerciais. O momento é considerado interessante para a compra de um bom ponto comercial. É uma opção interessante de investimento”, sugeriu.

Pesquisa FipeZap Imóveis residenciais – mercado imobiliário 

Apesar do Instituto de Pesquisas Data Secovi não ter apontado para uma possível queda dos valores dos imóveis, o Índice FipeZap mostra uma tendência de redução nos valores dos imóveis residenciais em Belo Horizonte.

De acordo com o estudo, em março, foi verificada baixa de 0,38% nos preços dos imóveis residenciais na capital mineira, elevando para 1,09% a retração acumulada no primeiro trimestre. Ao todo, foram avaliados 96.406 anúncios. Já o preço médio do metro quadrado ficou em R$ 6.853.

Mesmo com a queda vista no primeiro trimestre de 2021, no acumulado dos últimos 12 meses, os preços dos imóveis residenciais registraram alta de 2,33%.

Fonte: Diário do Comercio

Deixe seu comentário