Por que a MRV criou uma empresa de loteamentos (por eles mesmos)

Leonardo Corrêa, diretor executivo financeiro da MRV, e Flávio Araújo, diretor executivo da Urbamais, contam os planos para a nova companhia

A construtora MRV Engenharia decidiu apostar em um novo ramo de negócios: o de loteamento, por meio da empresa Urbamais Properties e Participações. A loteadora recebeu um aporte inicial de 50 milhões de reais e já nasce com a expectativa de ter um banco de terrenos com projetos aprovados até 2014 de até 60 milhões de metros quadrados – o equivalente a um VGV de 5,4 bilhões de reais.

Para explicar melhor o que a construtora pretende com tal braço de negócio, Leonardo Corrêa, diretor executivo financeiro da MRV, e Flávio Araújo, diretor executivo da Urbamais, contam os planos para a nova companhia a seguir com exclusividade à EXAME.com:

EXAME.com – Por que resolveram entrar no segmento de loteamentos?

Leonardo Corrêa – No Brasil existe um bônus demográfico grande com demanda por espaços urbanos, construídos de maneira planejada. Nosso intuito, com a Urbamais, é atender esse mercado. O foco principal será residencial, mas conforme as necessidades das áreas de localização dos lotes, também faremos projetos para áreas comercial e industrial.

EXAME.com – Como a ideia de conceber a Urbamais foi desenvolvida dentro da empresa?

Flávio Araújo – De janeiro de 2011 a janeiro deste ano, a Urbamais passou por uma fase de incubadora dentro da MRV, período em que foi avaliada a viabilidade comercial e financeira do projeto, que acabou se tornando uma empresa por conta da sua relevância. Todos os diretores da construtora estiveram de alguma forma envolvidos no projeto e a ideia é que a Urbamais ganhe independência total da empresa mãe em breve.

Corrêa – Em janeiro trouxemos o Flávio de uma empresa de pavimentação e outros serviços para atuar como diretor executivo da nova companhia. Com ele, montamos uma equipe de pessoas de dentro e fora da MRV para se dedicar apenas à nova companhia. Hoje, a Urbamais começa a funcionar em salas distintas às da MRV, mesmo com a proximidade da sede de ambas, na capital mineira.

EXAME.com – E o conselho, como será composto?

Araújo – Além de Ruben Menin, presidente da MRV, e eu, o conselho contará também com outros três executivos da MRV: Rafael Souza, diretor executivo regional, Maria Fernanda Maia, diretora executiva jurídica e Marcos Cabaleiro, vice-presidente. Mais para frente nossa pretensão é sim contar ainda com a presença de conselheiros independentes.

EXAME.com – A Urbamais vai atuar onde a MRV já está?

Araújo – Basicamente sim, 120 cidades em todas as regiões do país, com exceção do Norte. Nosso foco será atuar em cidades com população acima de 200.000 habitantes, com projetos voltados à classe média e com mais de 300.000 metros quadrados.

Corrêa – A expectativa é que o banco de terrenos com projetos aprovados até 2014 chegue a 60 milhões de metros quadrados, o correspondente a um VGV de 5,4 bilhões de reais.

EXAME.com – Mas a ideia não é apenas vender para a própria MRV e Log, empresa de ativos para renda do grupo, né?

Corrêa – Não, vamos ofertar os serviços da Urbamais para todos os interessados. Claro que a MRV e Log terão sim prioridade de atendimento com o intuito de fazermos projetos mistos. Mas como as empresas serão de investidores e acionistas diferentes todas as negociações serão feitas entre as partes com base em preços praticados no mercado.

EXAME.com – Quanto a Urbamais pode atrapalhar ou ajudar nos resultados da MRV?

Corrêa – A Urbamais não atrapalhará em nada a MRV, pelo contrário. A sinergia entre as companhias é muito grande e novos negócios devem ser gerados para ambas a partir do trabalho em conjunto. Além disso, o valor investido na criação da companhia (50 milhões de reais, tendo 30 milhões de reais sido desembolsados pela MRV e 20 milhões de reais pelos controladores) é pequeno comparado ao valor de mercado do grupo hoje.

EXAME.com – A nova incorporadora competirá de igual com a Alphaville, da Gafisa?

Corrêa – Entendemos que nosso negócio é diferente porque iremos trabalhar com loteamento de terrenos como um todo, para todos os tipos de classes de consumo, enquanto que hoje Alphaville atende mais classe alta. Há uma demanda alta no país por esse tipo de serviço pela necessidade de expansão dos espaços urbanos, qualidade das cidades que temos hoje e construir com a melhor qualidade possível. Não queremos ficar de fora.

Por: Tatiana Vaz
Fonte: Exame

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