Gêmeos americanos começaram com uma propriedade e construíram um portfólio de quase US$ 8 milhões; estratégia priorizou planejamento, fluxo de caixa e conhecimento do mercado
Investir em imóveis é uma das estratégias mais tradicionais para construir patrimônio. Mas comprar uma propriedade e simplesmente esperar que ela se valorize pode não ser suficiente para alcançar bons resultados.
Os irmãos gêmeos americanos Kelly e Chris Edwards aprenderam isso na prática. Eles começaram a investir no mercado imobiliário no início dos anos 2000 e, ao longo dos anos, saíram de uma única propriedade para um portfólio avaliado em quase US$ 8 milhões, segundo relato publicado pelo Business Insider.
Ao contar como construíram esse patrimônio, os irmãos reuniram nove aprendizados para quem pretende investir em imóveis. As recomendações passam por planejamento, estudo do mercado, escolha de um nicho e preparação para problemas.
Uma delas resume boa parte da estratégia dos dois: o imóvel precisa fazer sentido financeiramente antes de qualquer expectativa de valorização futura.
1. Trate o investimento em imóveis como um negócio
A primeira recomendação começa antes mesmo da compra.Para os irmãos, quem decide investir em imóveis precisa entender que está iniciando uma operação que exige planejamento, controle financeiro e acompanhamento.
Antes de comprarem o primeiro imóvel, eles estabeleceram um plano para os anos seguintes, definindo como pretendiam desenvolver o negócio.
Na prática, isso significa analisar receitas, despesas, riscos e objetivos antes de fechar uma compra. Adquirir primeiro para descobrir depois o que fazer com a propriedade pode aumentar consideravelmente o risco do investimento.
2. Procure pessoas que conheçam mais do que você
Quando começaram, Kelly e Chris buscaram investidores que já possuíam experiência no mercado.
Em um encontro realizado na cidade onde viviam, conheceram um investidor que administrava uma carteira muito maior. Os irmãos aproveitaram o contato para conversar e aprender com alguém que já havia enfrentado os desafios que eles encontrariam pela frente.
A recomendação continua válida para quem está começando.
Corretores de imóveis, administradores, investidores experientes, advogados e outros profissionais podem ajudar a identificar riscos que nem sempre aparecem em um anúncio ou em uma planilha.
3. Faça a conta do fluxo de caixa
Este é um dos principais pontos defendidos pelos irmãos.
Em vez de comprar uma propriedade apenas esperando que ela se valorize nos próximos anos, eles recomendam analisar se os números do investimento funcionam desde o início.
Para quem pretende gerar renda com aluguel, por exemplo, é necessário calcular quanto o imóvel pode produzir e quanto custará mantê-lo.
E essa conta não deve considerar somente o valor recebido do inquilino.
Condomínio, impostos, manutenção, seguros, administração e eventuais períodos sem locação podem reduzir o retorno.
A valorização futura pode aumentar o patrimônio, mas não deveria servir como única justificativa para uma compra que financeiramente não se sustenta.
4. Invista primeiro em conhecimento
Kelly e Chris também atribuem parte de sua trajetória ao hábito de estudar o mercado.
Antes de investir, é importante conhecer a região, os preços praticados, a demanda por locação e os custos envolvidos na propriedade.Quanto mais conhecimento o investidor possui sobre determinado mercado, melhores são suas condições para perceber se um imóvel realmente representa uma oportunidade.
Isso se torna ainda mais importante quando existe financiamento, já que os juros e o prazo da dívida afetam diretamente o resultado.
5. Em algum momento, é preciso começar
Estudar é importante. Passar anos apenas estudando pode se transformar em outro problema.
Os irmãos relatam que encontraram pessoas interessadas em investir que acumulavam informações, pesquisavam oportunidades e conversavam sobre o mercado, mas nunca tomavam uma decisão.Para eles, chega um momento em que o conhecimento precisa se transformar em ação.
Isso não significa comprar por impulso. O investidor deve estabelecer critérios e avançar quando encontrar uma propriedade que realmente atenda aos objetivos definidos.
6. Encontre um nicho dentro do mercado imobiliário
Outra recomendação dos irmãos é evitar a tentativa de investir em diferentes segmentos ao mesmo tempo, principalmente no começo.
Casas para locação, apartamentos compactos, imóveis comerciais, propriedades para temporada e imóveis destinados à reforma possuem características diferentes.
Kelly e Chris concentraram inicialmente seus investimentos em um mercado que conheciam e no qual acreditavam existir boas oportunidades.
Conhecer profundamente determinado segmento facilita a comparação entre propriedades e ajuda a identificar preços, riscos e oportunidades com maior rapidez.
7. Esteja preparado para os problemas
Quem investe em imóveis também precisa entender que imprevistos fazem parte da atividade.
Manutenção, vacância, inadimplência, documentação e despesas inesperadas podem aparecer durante o período em que o investidor mantém uma propriedade.
Por isso, uma boa análise não deve considerar somente o cenário ideal.
Criar uma reserva e calcular antecipadamente possíveis despesas ajuda a evitar que um problema pontual comprometa todo o investimento.
8. Não espere ficar rico rapidamente
Apesar de terem construído um patrimônio milionário, Kelly e Chris não apresentam o investimento imobiliário como uma fórmula para enriquecimento rápido.
A construção da carteira aconteceu ao longo de anos.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes da história, principalmente diante das promessas de ganhos rápidos que circulam nas redes sociais.
Investir em imóveis exige capital, conhecimento, administração e tempo. Dependendo da estratégia, também envolve financiamento e exposição a oscilações do mercado.
Como qualquer investimento, imóveis envolvem riscos e não oferecem garantia de rentabilidade ou valorização.
9. Não perca de vista seu objetivo
A última recomendação é saber por que você está investindo.
O objetivo pode ser gerar renda mensal, formar patrimônio para o futuro, diversificar investimentos ou buscar valorização no longo prazo.
Essa definição interfere diretamente na escolha da propriedade.
Um imóvel adequado para quem procura renda recorrente pode ser completamente diferente daquele escolhido por alguém interessado em valorização de longo prazo.
Ter um objetivo também ajuda a decidir quando comprar, manter ou vender uma propriedade.
A principal lição não está nos US$ 8 milhões
O patrimônio alcançado por Kelly e Chris chama atenção, mas talvez a parte mais interessante da trajetória esteja na forma como eles chegaram até lá.
Os irmãos não atribuem o resultado a uma propriedade milagrosa ou a uma grande aposta que multiplicou de valor rapidamente.
As nove recomendações apontam para outro caminho: planejamento, conhecimento, especialização, análise dos números e paciência.
E a orientação sobre fluxo de caixa resume bem essa estratégia.
Antes de comprar um imóvel pensando em quanto ele poderá valer daqui a dez anos, o investidor precisa entender se aquele negócio faz sentido nas condições atuais.
Afinal, construir patrimônio com imóveis pode levar tempo. E escolher corretamente cada propriedade pode ser mais importante do que simplesmente acumular o maior número possível delas.
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