Com queda nos juros, mercado imobiliário pode dobrar em 10 anos

Empresa, que é a maior operadora do Minha Casa Minha Vida, teve aumento nos lançamentos e nas vendas no segundo trimestre.

O copresidente da MRV Engenharia, Rafael Menin, acredita que o mercado imobiliário nacional pode dobrar de tamanho em dez anos, caso haja uma redução dos juros do financiamento e maior estabilidade macroeconômica daqui em diante. “O mercado pode sair do patamar de produção de 600 mil imóveis por ano para mais de 1 milhão por ano em uma década”, estimou o executivo, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Para ele, a reforma da Previdência abriu caminho para o saneamento das contas públicas e a redução da taxa básica de juros (Selic), o que permitirá a queda das taxas do crédito imobiliário, bem como a diversificação dos instrumentos de financiamento. “O mercado de capitais vai se desenvolver muito”, afirmou.

Esse cenário, combinado a uma expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem de 2,5% a 3,5% por ano, e à manutenção do atual ritmo de aumento demográfico da população, vai reforçar a demanda por moradias, prevê Menin. “Pode ser que tenhamos um novo ‘boom’, porém mais lento. Será um crescimento de mercado sem atropelo, dentro de um ciclo sustentável e perene.”

Menin afirma que enxerga a MRV como uma plataforma de habitação dividida em quatro segmentos de atuação. Uma parte destinada à venda de moradias por meio de financiamentos originados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), outra via Sistema Brasileira de Poupança e Empréstimo (SBPE), além da venda de loteamentos por meio da subsidiária Urbamais e locação de residências com a subsidiária Luggo.

“O tamanho do mercado vai crescer nos próximos anos. E nós queremos surfar nessa onda. Somos uma plataforma com escala e com diversificação de atuação para atender as diferentes demandas”, afirmou.

Aumento nos lançamentos

A MRV Engenharia é a maior operadora do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e registrou aumento nos lançamentos e nas vendas no segundo trimestre, de acordo com relatório operacional preliminar divulgado nesta segunda-feira, 15.

A incorporadora somou R$ 1,8 bilhão em lançamentos, com alta de 5,8% em comparação com o mesmo período de 2018. Esse foi o maior patamar para o segundo trimestre na história da companhia. No primeiro semestre, os lançamentos totalizaram R$ 2,901 bilhões, crescimento de 15,4% ante o mesmo intervalo do ano passado.

A MRV anunciou que fechou parceria com o Bradesco para liberação de crédito imobiliário na planta a clientes de um empreendimento lançado em Campinas (SP). A companhia já tinha parcerias com o Santander e com a Caixa Econômica Federal. Nos próximos meses, outros projetos serão desenvolvidos com essas mesmas instituições e uma parceria com um novo banco privado deve ser fechada até o fim do ano.

As vendas líquidas somaram R$ 1,3 bilhão no trimestre, uma leve expansão de 2,7%, e chegaram a R$ 2,628 bilhões no semestre, avanço de 4,3%. A MRV explicou que, como grande parte dos lançamentos foi feita no fim do trimestre, um maior crescimento no volume de vendas líquidas deve ser observado nos próximos meses.

Distratos em queda

Os distratos caíram 50,2% no trimestre, para R$ 121 milhões de abril a junho, sua melhor marca em seis anos. A baixa é um reflexo da estratégia de atrelar a conclusão da venda das unidades na planta à liberação de financiamento pelos bancos, reduzindo os riscos de cancelamento dos negócios.

Após a queima de caixa no começo do ano, a MRV voltou a gerar caixa, chegando a R$ 62 milhões no segundo trimestre. A incorporadora avaliou que esse número poderia ter sido maior, mas teve que desembolsar mais dinheiro em função da negociação de terrenos.

A empresa afirmou que já atingiu um volume satisfatório de terrenos e agora passará a adquirir áreas com o objetivo apenas de renovar seu estoque. Atualmente seu banco de terrenos pode suportar R$ 49 bilhões em lançamentos.

Fonte: Estadão

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