Valor de imóvel na planta pode subir 26% na entrega com alta dos juros

Alíquota atual da Selic eleva custo de aquisição de imóvel na planta e empréstimos acabam ficando mais caros

Comprar um imóvel na planta pode ficar 26% mais caro na entrega. Isso porque, ao financiar uma propriedade depois de pagar 35% de entrada, os 65% restantes podem acabar se tornando 91% do valor do imóvel, de acordo com estudo do Correio do Estado.

Em uma simulação de um apartamento novo em folha vendido por R$ 660 mil, com entrega para maio de 2025 e entrada de 35%, se mantidas as condições de juros atuais, com a Selic saltando de 2% para 11,75% em menos de um ano, os 65% a serem financiados podem se tornar R$ 602 mil em valor real, ou seja, 91,21% do total.

Em outras palavras, o comprador veria o investimento feito na entrada, fase de construção do prédio, praticamente virar pó.

De acordo com o economista Fábio Nogueira, aplicando-se a taxa de juros atual, de 9,86%, em um financiamento de R$ 430 mil, ao fim de 30 anos, o comprador terá pago R$ 930 mil, levando em conta que os juros aplicados durante o período equivalem a 2,17 vezes o valor do financiamento contratado.

Para pagar, o comprador tem a facilidade de parcelar a entrada de 35%. Uma unidade que custa por volta de R$ 660 mil requer entrada do porcentual, por parte da incorporadora, para custeio da obra. imóvel na planta

Esse valor é dividido em uma poupança, livres de juros, mas corrigida pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que mede a variação da inflação sobre os produtos utilizados na construção.

São R$ 230 mil a serem pagos em 37 parcelas de R$ 3.500. Além disso, a incorporadora requer pagamentos anuais de R$ 25 mil, totalizando R$ 75 mil em três anos e um sinal de R$ 15 mil.

Após esse período, os proprietários podem entrar de fato na nova moradia e também no verdadeiro financiamento bancário dos outros 65%.

Desde que a Selic aumentou, o valor de se tomar empréstimos ficou muito mais caro. O que é pego emprestado acaba custando muito mais em valor real.

Nessa simulação, os demais R$ 430 mil a serem financiados devem levar em consideração a taxa de juros do início da contratação. Se mantiver os patamares atuais de juros (9,86%), a primeira parcela deve custar R$ 4.472,21, na cotação mais em conta segundo o aplicativo Melhor Taxa.

Um ano atrás, com a Selic perto de 2%, a taxa de juros imobiliários beirava os 4,5%.

Como explica o economista Fábio Nogueira, “o aumento da taxa Selic de 2,75% para 11,75% afeta o valor real do dinheiro, tornando-o mais desinteressante para quem vai pegar empréstimo”. imóvel na planta

Sobre os altos patamares de juros, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de MS (Creci-MS), Eli Rodrigues, afirma que “os juros não deverão acompanhar a velocidade dos aumentos e também não vão subir no nível da Selic, da mesma forma que não desceram muito quando a taxa básica estava em 2%”.

Numericamente, o valor de face continua sendo o mesmo. No entanto, o valor real é afetado pela elevação na taxa de juros, e o valor desse dinheiro passa a ser menor.

Mercado imobiliário

Mesmo com valores inflados, corretores de imóveis contatados pela reportagem relatam que a procura por apartamentos novos não caiu, mesmo com o aumento dos juros. Terrenos e casas em condomínios fechados passaram a ser mais procurados depois da pandemia e seguem em alta. imóvel na planta

Proprietário da Bacchi Imóveis, Raphael Bacchi explica que uma das principais dificuldades atualmente na hora de vender imóveis é a entrada. “As pessoas que financiam muitas vezes não têm o valor para dar de uma vez, e isso atrapalha na hora de fazer o financiamento. É difícil a Caixa Econômica Federal liberar 100% do valor financiado”, revela.

Conforme noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, em função do aumento da taxa de juros nos últimos 12 meses, financiar um imóvel novo pode fazer o valor da 1ª prestação custar 39,06% a mais do que a um ano atrás.

Bacchi conta que a taxa de juros, importante como é para os empréstimos, raramente é consultada pelos possíveis compradores.

“Eles nem perguntam. Isso, para a gente que é da área, é relevante, mas quem procura só se dá conta quando fazemos a simulação e se assusta com a parcela. Aí sim, eles olham a taxa”, diz.

Segundo o corretor, as pessoas ainda não fazem essa ligação entre a taxa básica de juros, o valor da parcela e a interferência da primeira na segunda. “Para nós do ramo é automático, mas para a maioria não fica claro que a taxa afeta a parcela”, finaliza.

Fonte: Correio do Estado

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