Uma cidade verticalizada

Recife está em 21º lugar no ranking mundial de edifícios de grande porte. No país, fica atrás apenas de SP e RJ

 

Metrópoles gigantescas como Nova York, São Paulo e Tóquio dominam o campo imobiliário no mundo, em uma expansão de concreto que abrange todo o território, cada vez mais escasso nas cidades. Mas, exatamente por isso, as projeções de concreto apontam para o céu com edifícios cada vez mais altos, imponentes. Uma produção de larga escala, muitas vezes além do controle do plano diretor. Aliás, nem o céu parece ser o limite. No Recife, o embalo da construção civil é uma realidade. Essa impressão vertical pode ser percebida nas fundações de novas obras em cada esquina e prédios em fase de acabamento aglomerados no mesmo quarteirão. O impacto de tantas ações imobiliárias resultou em uma estatística impressionante. O que era impressão, virou fato. O Recife é uma das cidades mais verticais do mundo, muito além do que se imagina. A cidade, outrora portuária há alguns séculos, avançou, mudou os seus conceitos urbanos e optou pela verticalização, ocupando agora o 21º lugar entre as cidades com mais prédios em todo o planeta, de acordo com um estudo de uma consultoria internacional. No Brasil, o Recife está abaixo apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, com um 3º lugar que divide opiniões, entre defensores da evolução acelerada dos centros econômicos e os críticos do crescimento desenfreado, com o surgimento de ilhas de calor, além do trânsito asfixiado.

Segundo o detalhado levantamento da Emporis, companhia alemã especializada em dados sobre edifícios desde 1996, o Recife tem 1.103 construções considerando os dois modelos conhecidos de prédios de grande porte. A lista engloba os arranha-céus conhecidos como high-rise buildings, com prédios de 35 a 100 metros, e skyscrapers, acima de 100 metros. Vale ressaltar que o dado leva em conta apenas os imóveis da capital, sem considerar toda a RMR. A estatística coloca a cidade na frente de metrópoles chinesas em franco desenvolvimento, como Xangai e Pequim.

Top 20

O aquecimento do mercado imobiliário no Recife foi bastante acentuado nadécada recém-finalizada. Dos 20 maiores prédios da cidade – uma vez que o estudo dispõe de informações sobre todas as construções inseridas nas duas categorias citadas – 19 foram construídos entre 2001/2010. A exceção foi o Edifício Porto Seguro, em Boa Viagem, erguido em 1997. O bairro da Zona Sul, um dos três mais populosos da cidade além de ser um polo econômico, concentra grande parte dos arranha-céus. No entanto, os dados com as demais construções de grande porte mostram uma expansão para outros 11 bairros, preenchendo todas as lacunas de uma cidade de 217 quilômetros quadrados, com apenas 1/3 do território de Salvador, por exemplo. Ao todo, nove prédios tem pelo menos 40 pavimentos. O mais ´antigo` deles foi construído em 2003. Se o ritmo de crescimento for mantido, o Recife deverá entrar no Top 20 em breve, pois a venezuelana Caracas tem apenas seis edifícios a mais.

Missão empresarial para abrir mercados

Você pretende exportar os produtos da sua empresa? Pois saiba que uma das formas mais eficazes de se estudar um mercado, conhecer a concorrência, identificar um representante e promover vendas é participar das feiras internacionais. Excelente canal de aproximação entre empresários brasileiros e comerciantes estrangeiros, os encontros já se consolidaram como fonte de negócios para os pernambucanos. Aqui, as missões, que ocorrem durante praticamente todos os meses do ano, são organizadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) e pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe).

Esta última chegou a levar comitivas pernambucanas para cinco eventos internacionais em 2010, com índice médio de satisfação de 95% e 50% de negócios efetivados. ´A escolha final depende dos empresários locais e da avaliação dos nossos consultores sobre os países que trazem maiores possibilidades de procura`, explica a coordenadora do Centro Internacional de Negócios da Fiepe, Patrícia Canuto.

Uma das beneficiadas com a atuação da instituição é a Biologicus, empresa de cosméticos naturais. ´Participei da minha primeira feira no final do ano passado, na Itália, e já tenho pedidos de uma representante dos shoppings alemães. Estou adequando minha produção para atender a essa demanda`, afirma o presidente da Biologicus, Djalma Marques. Segundo ele, o processo foi simples e rápido. ´Procurei a Fiepe e eles me deram todas as informações necessárias para a viagem, tanto que já levei alguns produtos para expor lá, sem burocracia.`

A gestora de comércio exterior do Sebrae, Margarida Collier, ressalta que, nas missões, o empresário só precisa pagar as passagens e hospedagem, e o resto fica por conta das organizadoras que oferecem espaço para exposição, intérprete, visitas guiadas, rodadas de negócio e visitas técnicas a fábricas locais. Porém, antes de frequentar um evento como expositor,é aconselhável que os comerciantes participem primeiramente como visitantes. ´As missões não são unicamente uma fonte de negócios, mas também um bom local para se colher informações e contatos`, detalha.

Josias Albuquerque, presidente da Fecomércio, concorda. ´O empresário que quer exportar não pode somente vender seus produtos sem ter noção do público que está comprando. No mundo globalizado, os bons negociantes primeiro se informam sobre os mercados e depois penetram neles`, reforça. Ele adianta ainda que a missão empresarial da Fecomércio deste ano, marcada para outubro, será novamente à China, assim como a de 2007 e a de 2010, que juntas levaram 175 empresários e 30 membros do governo do estado ao país asiático.

Intensivo em mão de obra

A indústria naval brasileira renasceu. E já emprega mais pessoas do que no seu auge, na década de 1970. Naquela época, eram cerca de 40 mil empregos. Hoje, são mais de 56 mil, número que sobe para 84 mil quando se considera a indústria náutica de lazer, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). Somente o Estaleiro Atlântico Sul, um dos marcos desse renascimento, gera 5,2 mil empregos, contigente que deve chegar a oito mil ainda em 2011.

Wevangi da Silva, 24, foi aluno do centro de treinamento construído pelo EAS no Complexo de Suape e hoje faz faculdade de gestão industrial. Foto: Fotos: Helder Tavares/DP/D.A Press

Trata-se de um segmento intensivo em mão de obra. No início de janeiro, o EAS abriu uma frente para contratação de aproximadamente 1,2 mil profissionais para dar conta das demandas atuais e futuras. ´Nossa maior necessidade são soldadores e montadores com experiência em indústria naval ou metalmecânica, por isso abrimos as vagas para todo o Brasil. Mas também temos outras 200 vagas para ajudantes, de nível básico, que não exigem experiência`, explica o diretoradministrativo e de relações institucionais do EAS, Gerson Beluci.

As vagas foram abertas para Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Pará, Amazonas e Minas Gerais. A gerente de recursos humanos do EAS, Jane Souza, indica o caminho das pedras para pleitear uma dessas oportunidades: ´O melhor caminho é entrar no site e deixar seu currículo`, resume. No banco de currículos do estaleiro já são cerca de 15 mil profissionais cadastrados. Jane conta que as contratações também ocorrem para preencher vagas de profissionais que foram promovidos. ´Temos, em média, 250 promoções todos os meses.`

Agora o EAS exige experiência, mas no início não foi nada fácil. O governo do estado, em parceria com as prefeituras, promoveu um reforço de escolaridade para cinco mil pernambucanos. Desses, 3.250 foram qualificados pelo Senai e viraram soldadores. Entre eles, Wevangi Alex Ferreira da Silva, 24 anos. De origem humilde e morador do bairro de San Martin, no Recife, Wevangi enxergou no estaleiro uma chance para melhorar de vida.

´Eu queria ser artista, viver dos meus desenhos, mas é muito difícil. Aqui estou aprendendo várias funções e quero continuar nesse ramo`, diz Wevangi, mostrando fotos de alguns de seus desenhos numa câmera compacta. Ele começou como aluno ponteador no Centro de Treinamento Engenheiro Francisco Vasconcelos, construído pelo EAS em Suape e doado ao governo do estado. Hoje opera uma máquina de corte no setor de painelização e à noite faz faculdade de gestão industrial. ´Depois quero fazer pós em engenharia de produção. São muitas as vantagens de trabalhar em uma grande empresa e eu quero mostrar que sou capaz`, planeja.

Quem viu a Ilha de Tatuoca repleta de mato dificilmente consegue imaginar que ali se instalou o maior estaleiro do Hemisfério Sul. E que no seu encalço estão surgindo diversos outros estaleiros em várias partes do país. O responsável pela retomada dessa indústria após mais de 30 anos de estagnação foi o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro, subsidiária da Petrobras na área de transporte. Até aqui são 49 navios encomendados, 22 deles ao EAS. Com as descobertas no pré-sal, virão outras encomendas de plataformas, petroleiros e barcos de apoio, movimentando ainda mais essa cadeia.

Metalmecânica em alta

A chegada de um polo naval a Suape acabou mexendo com toda a cadeia metalmecânica do estado. Um ramo que viveu sua época de ouro nos anos 1960 e 1970, mas que declinou juntamente com a atividade sucroalcooleira na década seguinte. Desde 2007, no entanto, as obras de construção e montagem dos grandes empreendimentos voltou a movimentar o segmento. Isso vem se traduzindo em mais empregos para os pernambucanos.

Somente a Metalgil, no Cabo de Santo Agostinho, abriu 176 vagas de 2007 para cá. ´Estamos no mercado desde 1963 e sobrevivemos à crise do açúcar. Agora Pernambuco está crescendo muito e a Metalgil cresce junto`, declara o diretor comercial Gil Martins. Desde 2008 foram investidos R$ 4,5 milhões em equipamentos, melhoras de processos e capacitação de mão de obra.

A Metalgil vem contratando soldadores, caldeireiros e operadores de máquinas, além de engenheiros mecânicos e elétricos. Valter de Santana Lira, 34 anos, foi porteiro durante 12 anos antes de virar ajudante e depois soldador capacitado pela empresa. ´Encontrei aqui uma oportunidade`, comemora Valter.

O salário de um soldador varia de R$ 870 a R$ 1,8 mil e pode chegar a R$ 15 mil, caso o profissional seja certificado para fazer inspeção de solda. João Amaro da Silva, 44, morador de Ponte dos Carvalhos, no Cabo, conta que nunca ficou desempregado. Fez cursos no Senai e hoje atua como inspetor. Antes de ser contratado pela Metalgil, há um ano, trabalhou em outras nove empresas.

´Não sei o que é seguro-desemprego desde que me especializei em solda`, conta um João orgulhoso, que cresceu em uma família de soldadores e trabalha na área desde os 7 anos. ´Queria que meus filhos seguissem outra carreira, mas os três resolveram ser soldadores também. Fico muito feliz.`

E não é só o polo naval que está trazendo oportunidades. O setor eólico também anima esse mercado. ´Metalúrgicas estão sendo reativadas e modernizadas em função de Suape`, pontua o presidente do Sindicato da Indústria Metalmecânica, Sebastião Pontes.



Cassio Zirpoli
cassiozirpoli.pe@dabr.com.br

Fonte: Diario de Pernambuco

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