Evolui o debate sobre a criação do Índice de Preços de Imóveis

Governo acredita que novo índice vai monitorar o mercado, para prever e evitar eventual “bolha”, risco descartado por economistas.

19/10/10, Rio de Janeiro, RJ – Defendida pelo diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), Alexandre Tombini há, pelo menos, um ano, a criação do Índice Nacional de Preços de Imóveis ocorrerá no início de 2011, avaliam observadores. O BC pretende criar o novo índice com a função de “monitorar o mercado”, o que fará em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), conforme declarado recentemente por Tombini, durante encontro com empresários do setor.

O governo entende que o Índice Nacional de Preços de Imóveis venha a representar uma ferramenta capaz de prever e, portanto, evitar a eventual ocorrência de “bolha” no mercado imobiliário brasileiro, conforme ocorreu nos Estados Unidos em 2008, impactando a economia global. Corrente importante de economistas entende que o novo índice tem razão de ser, contudo, a visão manifestada difere do entendimento do BC.

Dessa corrente faz parte o economista Luiz Roberto Cunha, decano da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Em entrevista ao Jornal O Globo (domingo, 17, outubro), Cunha diz que o novo índice “ajudará na análise de evolução dos preços, sem, contudo, ser capaz de prever uma “bolha” no setor, como pretende o governo”.

Nas suas declarações àquele Jornal, Cunha enfatiza que o mercado imobiliário brasileiro não corre o risco de “bolha”, e que a atual alta expressiva nos preços dos imóveis tem, entre seus componentes, “fatores como a recuperação de valores depreciados por desequilíbrio entre oferta e demanda”.

Na grande maioria, os economistas que repercutem na mídia descartam a possibilidade de “bolha imobiliária” brasileira. Como base para tal convicção, aqueles profissionais mencionam a inexistência de qualquer semelhança entre as práticas do mercado norte-americano e do brasileiro.

Exemplo das diferenças é que nos Estados Unidos, durante a pré-crise, o financiamento alcançava 100% do valor do imóvel, o qual podia ser objeto de duas diferentes hipotecas. Na prática brasileira, os financiamentos chegam, na média, a 80% do preço total, e não há possibilidade de uma segunda hipoteca sobre a unidade já financiada.

Se, de todo, o pretendido índice imobiliário não funcionar como bola de cristal, poderá “ser positivo para dar um parâmetro sobre o comportamento dos preços de imóveis no país”, como entende o presidente do Sindicato da Habitação em São Paulo (Secovi/SP), João Crestana.

A dinâmica do mercado imobiliário e a diversidade de fatores que determinam os preços, como a cidade, o bairro, a rua e as comodidades que cercam o imóvel são, segundo o setor, dificultadores para a criação de um índice nacional. Conforme a posição manifestada à mídia pelo vice-presidente do Sindicato da Habitação no Rio de Janeiro (Secovi/RJ), Manoel Maia, é de temer que “os indicadores do governo não acompanhem a realidade rápida do mercado com as suas especificidades por região, e acabem influenciando os preços. Este índice tem que ser feito com cautela”.

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