Comprar um imóvel na planta vale a pena?

Casa Vogue ouviu especialistas do mercado imobiliário para entender quais são as vantagens e desvantagens de comprar um imóvel na planta

Salas de coworking, lavanderia compartilhada e área para pets são algumas das características que estão ganhando espaço nos novos empreendimentos imobiliários, como já mostramos aqui em Casa Vogue. Estas comodidades estão chamando a atenção de muitas pessoas e fazendo com que o gosto por construções de arquitetura consagrada ou ambientes espaçosos, típicos dos imóveis antigos, se torne menos relevante. Mas será que vale a pena comprar um imóvel na planta?

“As pessoas que procuram imóveis na planta são aquelas que desejam não ter dor de cabeça com apartamentos antigos ou com reformas e que querem mais modernidade no empreendimento”, explica Alex Frachetta, CEO da plataforma de venda imóveis Apto. Segundo ele, estas construções buscadas principalmente por jovens recém-casados e famílias com crianças, que procuram construções com mais áreas de lazer.

Apesar da comodidade ser um diferencial dos imóveis na planta, a compra de uma casa ou apartamento pode se tornar um pesadelo com a falta de planejamento. Assim, é essencial analisar também questões de financiamento, mudança e até de documentação antes de optar por um destes imóveis. Para te ajudar nesta tarefa, ouvimos especialistas do mercado imobiliário e reunimos quais são as principais vantagens e desvantagens de adquirir um imóvel na planta. Confira!

Vantagens de comprar um imóvel na planta

Preço geralmente atrativo

Se você está em busca de um novo lar, você provavelmente já ouviu dizer que o preço é um dos principais atrativos de adquirir imóvel na planta. De acordo com o CEO da Apto, esta é, de fato, uma das vantagens. “O preço cobrado por apartamentos nesta fase costuma ser bem menor do que o de empreendimentos finalizados e, por isso, uma possibilidade atrativa para quem busca valorização”, explica ele.

Contudo, o preço só se torna uma vantagem se você não tiver um bom planejamento financeiro. Para a cofundadora da startup de crédito imobiliário Felí, Fernanda Machado, é importante levar em consideração a variação das taxas de financiamento.

Isso porque, ao comprar um imóvel na planta, cerca de 20 a 35% do valor do imóvel é pago durante o período de obras. “Somente quando o imóvel ficar pronto é que você iniciará a contratação do financiamento imobiliário, que deverá estar em taxas alinhadas com a Selic (taxa básica de juros do Brasil)”, explica ela. Portanto, é essencial levar em consideração que as taxas de juros podem aumentar durante os meses de obras e se planejar para isso.

Planejamento financeiro

Ao contrário da aquisição de uma casa ou apartamento que já pertenciam a outro proprietário, este modelo não exige que o comprador se mude imediatamente, o que traz mais tempo para que ele se organizar. “Você consegue se programar. Ao comprar com um tempo de obra de 24 meses, por exemplo, você tem como se ajustar para fazer uma mudança mais tranquila”, explica o coordenador e gerente de lançamentos da imobiliária Axpe, Eduardo Aidar.

Além disso, em termos financeiros, este período de construção permite que você crie uma reserva financeira e se organize não somente para pagar o financiamento do imóvel, mas também para adquirir o mobiliário e fazer os acabamentos necessários. “Com disciplina, as pessoas conseguem tranquilamente, sem perrengues ou surpresas, realizar esse sonho”, diz Fernanda.

Documentação

Resolver burocracias relacionadas à documentação é provavelmente uma das partes mais desgastantes de adquirir um novo imóvel. No entanto, segundo o gerente de lançamentos da Axpe, este processo é muito mais simples ao comprar uma casa ou apartamento na planta. “Você não tem problemas de documentação, já que você é o primeiro dono. Quando você compra uma revenda, você pode ter problemas com inventários e documentos de ex-proprietários”, explica Eduardo.

Desvantagens

Urgência em mudar

Embora existam lançamentos que já estão prontos ou quase finalizados, a maior parte dos imóveis na planta possui um amplo tempo de construção, geralmente superior a um ano. Por conta disso, de acordo com Eduardo, este modelo pode não ser tão aconselhado para pessoas que possuem urgência em se mudar, como alguém cujo contrato de locação está prestes a vencer, por exemplo.

Ilusão por modelos decorados

Já de acordo com Alex, uma questão que costuma frustrar os compradores e que pode ser considerado um ponto negativo é a ilusão causada por modelos decorados vistos na hora da compra. “A pessoa pode se encantar por modelos decorados que parecem perfeitos e, ao visitar o apartamento pronto para morar, perceber que ele não é parecido com o imaginado”, explica ele. Sendo assim, a dica do especialista é sempre ler o manual descritivo para checar como o imóvel será entregue e esclarecer todos os detalhes com a construtora ou o corretor.

Construtora declarar falência

Outra possibilidade que pode assustar quem busca comprar um imóvel na planta é a falência da construtora. Neste caso os compradores dos imóveis entram em uma fila de espera para reaver o valor que já foi investido no empreendimento. Para evitar este processo cansativo, a dica é investigar a situação financeira da empresa e checar se existem relações sobre ela em sites e páginas na internet. No site da Apto, por exemplo, há uma guia destinada ao histórico das construtoras que pode servir para evitar situações adversas.

Além disso, o gerente de lançamentos da Axpe aconselha que os compradores também pesquisem sobre a imobiliária e confiem no trabalho que está sendo feito por ela. “A imobiliária não tem interesse nenhum em vender alguma coisa que seja arriscada ou que possa comprometer a imagem da marca”, explica ele.

Decidi comprar um imóvel na planta, e agora?

Se, após considerar os pontos positivos e negativos, você decidiu adquirir um imóvel na planta, existem algumas dicas que podem te ajudar a se organizar para isso. De acordo com a cofundadora da Felí, é essencial se informar e entender qual é a sua capacidade financeira para a compra de um imóvel. “Fazer uma planilha e lançar todos os ganhos e gastos pode ajudar bastante. A partir desse ponto você vai entender quais são as suas economias, quanto falta para a compra e como essa compra será realizada”, explica Fernanda.

Além disso, é importante ainda buscar imóveis que atendam as suas necessidades e, com base nisso, comparar as opções disponíveis. Outro fator importante, segundo ela, é formalizar a sua renda, caso você seja autônomo ou tenha um trabalho informal. “O banco vai te avaliar, por isso é imprescindível ter a renda formalizada, seja por declaração de Imposto de Renda ou movimentação de conta corrente”, explica.

Fonte: Casa Vogue

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