Compra da casa própria fica mais segura com pelo menos 50% de entrada

Mesmo com a taxa Selic atingindo o menor patamar dos últimos três anos, após ser fixada em 10,25% pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na última quarta-feira, especialistas em crédito imobiliário consideram que ainda é arriscado financiar imóveis, por causa da instabilidade política e econômica do país e do desemprego em alta. Consultores ouvidos por A TARDE recomendam cautela a quem quer fazer negócio.

“Se fosse há quatro, cinco anos, eu estaria comemorando. Mas com a conjuntura atual, só vale a pena se comprometer em um financiamento se puder dar uma entrada de pelo menos 50% do valor”, afirma o consultor Marcelo Prata, dono do site www.resale.com.br e especialista em crédito imobiliário.

Além disso, Prata considera que há espaço para uma redução ainda maior da taxa Selic, como também avaliam outros analistas financeiros. A decisão da Selic, tomada esta semana, precedeu o anúncio feito pelo Banco do Brasil, há um mês, da redução da taxa de crédito imobiliário para pessoa física, por meio do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), para 9,9%.

O economista e consultor financeiro Edísio Freire acredita que nesse momento o ideal é ter ao menos 70% do valor de entrada, especialmente no caso de imóveis acima de R$ 200 mil.

“Para unidades que custam até R$ 180 mil, há alguns subsídios, afirma o economista. Mas ele faz uma ressalva. “Se a pessoa ficar esperando pelo momento ideal, acaba não comprando nunca”, pontua.

Mais otimista, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado da Bahia (Sinduscon), Carlos Henrique Passos, qualificou a trajetória de redução da taxa de juros como altamente positiva. “Cada ponto percentual que se reduz na taxa de juros significa R$ 11 mil ou R$ 12 mil a menos que se paga por um imóvel de classe média ao final de um financiamento”, afirma Passos, que aguarda agora os bancos anunciarem a redução de suas taxas de juros.

Ele declara que a redução da taxa Selic é uma ótima sinalização, pois pode trazer para o setor produtivo, inclusive a construção civil, recursos que estão em aplicações financeiras. “Ainda há espaço para que os juros caiam mais”, declara o presidente do Sinduscon, que há muito tempo levanta a bandeira de que a taxa Selic deve ser de um dígito.

Necessidade de aquisição

“O momento para recorrer a um financiamento depende, acima de tudo, da necessidade de quem compra o imóvel. Se o cliente encontrou o imóvel que realmente necessita, deverá avaliar em primeiro lugar a pertinência da mudança”, afirma Carlos Vintem, diretor da UCI Brasil, empresa especializada em crédito imobiliário com mais de 40 anos de atuação no mercado.

“Com base nos indicadores que temos, podemos dizer que este é o melhor momento dos últimos dois anos”, afirma Vintem. Ele considera que, além do impacto da mudança de imóvel na vida da pessoa, deve ser levada em conta a sua capacidade financeira para suportar a nova prestação, com o financiamento.

“Estando cumpridas as condições básicas para avançar com uma boa oportunidade de negócio, este é um bom momento para avançar”, avalia.

Sobre o impacto da decisão do governo federal de injetar R$ 2,54 bilhões no FGTS para o crédito imobiliário, o consultor Marcelo Prata mostra-se cético. “Ninguém sabe exatamente como esse dinheiro será aplicado pelo governo federal”, afirma o consultor.

A decisão do governo foi tomada depois que representantes do setor da construção civil reclamaram que a liberação das contas inativas do FGTS para saque dos correntistas descapitalizou a Caixa para financiamentos.

Tipos de crédito imobiliário

SFH – Criado em 1964, o Sistema Financeiro da Habitação rege a maioria dos financiamentos imobiliários que ocorrem no país. Emprega recursos das contas de poupança, ou repassados pelo FGTS, no financiamento da aquisição e construção de imóveis residenciais. No Banco do Brasil, a taxa de juros do SFH é  9,99% ao ano, + TR de  10,74% ao ano. No Bradesco, a taxa foi de 10,70% em simulação online de financiamento de um imóvel de R$ 500 mil. O banco financia 80% desse valor. A CEF não informou a taxa de juros

Pró-cotista – Para  obter esse financiamento, o cliente precisa ter conta ativa do FGTS com pelo menos 36 contribuições mensais. Vale para imóveis novos e usados de até R$ 1,5 milhão. No BB, a taxa é de 9,9% ao ano.

SBPE – A carta de crédito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo oferece financiamento em até 35 anos.  Antes da última reunião do Copom, a taxa de juros oscilava entre 10,25% e 11% ao ano

Fonte: A Tarde UOL

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