O mercado imobiliário começou 2026 com um sinal claro de movimento: bancos privados passaram a reduzir as taxas de juros do financiamento imobiliário mesmo com a Selic mantida em patamar elevado. A estratégia reforça a expectativa de retomada do setor e pode antecipar decisões de compra de milhares de brasileiros.
Entre o fim de 2025 e o início deste ano, Itaú Unibanco e Santander Brasil ajustaram para baixo suas taxas mínimas, iniciando uma nova fase de competitividade no crédito imobiliário.
Juros abaixo de 12% ao ano mesmo com Selic elevada
As reduções chamam atenção porque acontecem em um cenário de política monetária restritiva. Ainda assim, as instituições começaram a se posicionar para o aumento da demanda por crédito habitacional.
- O Santander passou a operar com taxas a partir de 11,79% ao ano + TR, ante 11,99% em novembro de 2025.
- No Itaú, a taxa mínima caiu de 11,70% para 11,60% ao ano + TR, válida desde dezembro.
A redução pode parecer pequena, mas no financiamento imobiliário cada décimo impacta significativamente o valor final pago ao longo dos anos.
Movimento acompanha mudanças no crédito habitacional
Embora os bancos não tenham detalhado oficialmente os motivos das reduções, o mercado associa a decisão a ajustes recentes na política habitacional e ao aumento da concorrência.
A Caixa Econômica Federal, principal agente do crédito imobiliário no país, estabeleceu teto de juros de até 12% ao ano para financiamentos voltados à classe média, além de ampliar condições de crédito.
Outras instituições seguem estratégias diferentes:
- O Banco Inter divulga taxas a partir de 9,5% ao ano, indexadas ao IPCA.
- O Bradesco opera, segundo dados do Banco Central, com taxas entre 11,70% e 12,73% ao ano em financiamentos pós-fixados atrelados à TR.
Esse cenário reforça a disputa entre instituições financeiras para captar clientes e estimular novos contratos.
O que explica a redução das taxas de financiamento imobiliário em 2026
Mesmo sem comunicados oficiais detalhando os motivos, analistas do setor e executivos do mercado financeiro apontam que a queda nas taxas não foi pontual nem isolada. Ela reflete uma combinação de fatores econômicos, estratégicos e competitivos que já vinham se desenhando desde o fim de 2025.
A seguir, os principais vetores por trás desse movimento.
1) Expectativa real de retomada do mercado imobiliário
Os bancos costumam antecipar ciclos. Ou seja, eles ajustam suas condições antes da demanda explodir e não depois.
Há uma leitura clara de que 2026 pode marcar a retomada gradual das vendas de imóveis no Brasil, sustentada por:
- possível ciclo de queda da taxa básica de juros ao longo do ano
- maior estabilidade econômica
- retomada do emprego e da renda das famílias
- aumento da confiança do consumidor
Ao reduzir taxas agora, as instituições se posicionam para capturar essa nova demanda quando ela ganhar força. Quem sair na frente tende a fechar mais contratos e fidelizar clientes logo no início do ciclo.
2) Pressão competitiva entre bancos e programas habitacionais
Outro fator central é a disputa direta por mercado. O crédito imobiliário é um dos produtos mais estratégicos para as instituições financeiras, porque envolve contratos de longo prazo e relacionamento contínuo com o cliente.
A atuação da Caixa Econômica Federal tem peso relevante nesse cenário. O banco ampliou condições para a classe média, aumentou limites de financiamento e passou a trabalhar com tetos de juros próximos a 12% ao ano em determinadas linhas.
Isso gera um efeito dominó:
- bancos privados precisam ajustar taxas para não perder clientes
- a competição reduz margens, mas amplia volume de contratos
- o crédito passa a ser usado como porta de entrada para outros produtos financeiros
Na prática, o financiamento imobiliário vira uma arena de disputa estratégica entre instituições.
3) Estratégia de relacionamento de longo prazo
Diferente de outras linhas de crédito, o financiamento habitacional cria vínculos que duram décadas.
Quando um banco concede crédito imobiliário, ele não está vendendo apenas um empréstimo. Está construindo um relacionamento financeiro completo, que pode incluir:
- conta corrente e movimentação bancária
- seguros habitacionais e patrimoniais
- cartões de crédito
- investimentos
- crédito consignado e pessoal no futuro
Taxas menores hoje funcionam como uma porta de entrada. A instituição aceita ganhar menos na operação inicial para garantir um cliente de alto valor ao longo dos anos.
4) Antecipação de queda futura da Selic
Mesmo com a taxa básica ainda elevada, o mercado financeiro trabalha com expectativas e não apenas com o cenário atual.
A sinalização de desaceleração da inflação e possibilidade de redução da Selic nos próximos ciclos do Banco Central faz com que bancos já ajustem suas estratégias.
Isso acontece porque:
- o crédito imobiliário é planejado com visão de longo prazo
- contratos podem ser refinanciados no futuro
- entrar no mercado antes da queda generalizada aumenta participação e carteira
Ou seja, a redução não é só uma reação ao presente, mas uma aposta no que vem pela frente.
5) Necessidade de manter o crédito ativo mesmo com juros altos
Com a Selic elevada, outras linhas de crédito tendem a desacelerar, como empréstimos pessoais e financiamento de consumo. O crédito imobiliário, porém, segue sendo considerado mais seguro, pois:
- possui garantia real (o próprio imóvel)
- apresenta menor índice de inadimplência
- tem contratos estruturados e de longo prazo
Reduzir levemente as taxas é uma forma de manter esse mercado girando, evitando queda brusca nas contratações.
6) Mudança no comportamento do consumidor
O comprador de imóvel em 2026 está mais informado, compara bancos e simula crédito antes de fechar negócio. Esse perfil pressiona as instituições a oferecerem melhores condições.
Hoje, o cliente:
- pesquisa taxas online
- negocia entre bancos
- busca aprovação em mais de uma instituição
Quem apresenta taxas competitivas primeiro ganha vantagem na decisão.
Quanto o comprador pode economizar
Uma queda de 0,2 ponto percentual pode representar milhares de reais ao longo do contrato. Em financiamentos de longo prazo, qualquer redução tem impacto direto em:
- valor da parcela
- capacidade de aprovação de crédito
- custo total do imóvel
Além disso, taxas menores ampliam o acesso ao financiamento para famílias que antes não conseguiam se enquadrar na renda exigida.
Comprar agora ou esperar?
A redução dos juros levanta a principal dúvida do comprador: este é o momento ideal para financiar?
O cenário atual reúne três fatores positivos:
- bancos reduzindo taxas
- maior competição entre instituições
- expectativa de queda gradual da Selic no médio prazo
Ao mesmo tempo, esperar pode significar enfrentar:
- aumento do preço dos imóveis
- maior demanda no segundo semestre
- menor poder de negociação
Impactos para corretores de imóveis e mercado imobiliário
Para profissionais do setor, o movimento representa uma janela estratégica:
- maior facilidade de aprovação de crédito
- aceleração do ciclo de vendas
- aumento da conversão de leads em compradores
- retomada da confiança do consumidor
A tendência é que o financiamento volte ao centro das negociações, exigindo do corretor maior domínio sobre crédito, taxas e simulações.2026 pode marcar a virada do crédito imobiliário
A redução das taxas por bancos privados, mesmo com juros básicos elevados, sinaliza uma aposta clara na retomada do setor. O mercado começa a antecipar a queda da Selic e a retomada da economia.
Para quem pretende comprar, financiar ou investir, o momento passa a ser de análise estratégica e não apenas de espera.
O crédito está se mexendo. E, historicamente, quando isso acontece, o mercado imobiliário costuma reagir logo em seguida.
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