Alta na Selic não vai impactar mercado imobiliário

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou o aumento de 2% para 2,75% ao ano da Selic. O incremento de 0,75 ponto percentual foi acima do especulado pelo mercado financeiro, que tinha expectativa de crescimento de 0,5 ponto percentual. Além disso, o comitê já sinalizou que a taxa básica de juros deve seguir tendência de alta nas próximas reuniões. Apesar do cenário, o mercado imobiliário não tem expectativa de sofrer impactos negativos. A estimativa é que esse aumento e outras possíveis altas na Selic ao longo do ano não influenciem nas taxas de juros do crédito imobiliário, um dos aspetos que impulsiona o setor.

A taxa Selic em 2,75% ainda não é a real do mercado, segundo Avelar Loureiro, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE). “A previsão é que ainda chegue em 5,5%. Mas, até lá, as taxas de juros do crédito imobiliário não se alteram muito”, afirmou. A questão é que desde que a Selic começou a baixar, as taxas de juros do crédito imobiliário foram caindo, mas não acompanhando o mesmo ritmo. “Quando a Selic era 14%, a taxa de juros do crédito imobiliário era 10%. Quando a Selic baixou para 10%, os juros caíram para 9,5%. Quando diminuiu para 8%, a taxa foi para 8,5%. De lá ficou bom tempo. Até que chegou em 2% e a taxa foi para 8% porque tinha muita gordura. Mas se a Selic voltar a subir a 5,5% neste ano, ainda vai estar nesse patamar”, detalhou.

Como o crédito imobiliário não é de curto prazo, os movimentos no mercado não são tão rápidos. “Os bancos esperavam que a Selic ia subir de novo, então foram mais conservadores na queda das taxas de juros, guardaram essa gordura do crédito imobiliário tradicional”, explicou Loureiro. Inclusive, ele reforçou que a demanda agora está aquecida no estado. “A pandemia mudou os hábitos das pessoas, que estão buscando imóveis maiores e mais confortáveis. Além disso, muita gente está casando e, principalmente, descasando, o que gera uma procura por novos imóveis”, disse.

Avelar Loureiro reforçou que, além da Selic, outros dois fatores também ajudam a impulsionar o mercado imobiliário e que, inclusive, geram mais apreensão para o setor neste momento porque podem gerar impactos negativos. “Além da taxa de juros, a demanda é ativada por outros dois vetores, que são a renda e a necessidade de precisar de uma casa nova. Com a pandemia, houve essa demanda pela procura. Mas o desemprego está aumentando e a renda retraindo. Ainda existe uma preocupação com o controle fiscal, que se não vier rapidamente e a Selic subir de novo para a faixa dos 14%, aí o estrago será maior. O controle fiscal vai determinar o futuro”, concluiu.

Fonte: Diário de Pernambuco

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