Publicidade Vantagens exclusivas para corretores de imóveis na Accounttech
Home Mercado Imobiliário Quais as mudanças previstas no programa Minha Casa Minha Vida

Quais as mudanças previstas no programa Minha Casa Minha Vida

0
Seminário Mulheres no Mercado Imobiliário

Obras passam por atrasos no repasse de recursos. Orçamento de 2020 só reserva verba para concluir unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda, sem novos projetos. Minha Casa Minha Vida

Em 2019, ano em que completa uma década de existência, o Minha Casa Minha Vida, considerado o maior programa habitacional já tocado no Brasil, registrou atrasos na liberação de recursos e despertou especulações sobre o futuro do atendimento de famílias de baixa renda.

O programa tem quatro faixas, definidas a partir do poder aquisitivo das famílias. A faixa 1, que atende aos mais pobres, não teve novos projetos em 2019. E o Orçamento de 2020 reservou apenas o pagamento dos contratos em andamento.

R$ 2,23 bilhões é o volume de recursos para a faixa 1 no Orçamento de 2020, que garantem a execução de 233 mil unidades habitacionais já em andamento

Por causa das restrições orçamentárias e da redução dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), principal fonte do Minha Casa Minha Vida, a tendência é que a faixa 1 do programa acabe, segundo expectativa dos sindicato da habitação. A faixa atende famílias com renda de até R$ 1.800. Nesse caso, o governo subsidia 90% do valor do imóvel. O restante é financiado pela Caixa Econômica Federal.

De 2009, quando o Minha Casa Minha Vida foi criado, a 2013, 80% dos contratos do programa eram para unidades habitacionais da faixa 1, para famílias mais pobres, segundo um levantamento da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Já entre 2014 e 2018, período que coincide com a crise econômica, o percentual despencou para 20%. O governo Jair Bolsonaro tenta reformular o programa, mas ainda não apresentou um projeto com as novas regras.

Banner com informações sobre resgate de presentes e publicidade imobiliária

7,8 milhões de unidades é a estimativa de deficit habitacional no Brasil hoje, metade concentrada na faixa de renda de 1 a 3 salários mínimos

A origem do programa Minha Casa Minha Vida

O Minha Casa Minha Vida foi lançado em 25 de março de 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu objetivo era criar mecanismos para incentivar a produção e aquisição de novas unidades habitacionais pelas famílias com renda de até dez salários mínimos.

  • 5,5 milhões de unidades habitacionais foram contratadas em dez anos
  • 4 milhões de moradias foram entregues no período
  • R$ 464 bilhões foi o valor gasto pelo governo federal no programa

“Foi a primeira vez na história da política habitacional brasileira que foram mobilizados subsídios a fundo perdido para populações que não teriam acesso a moradia de outra forma”

Raquel Rolnik urbanista e ex-relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo

No governo Bolsonaro, o Ministério das Cidades, que geria o programa desde sua criação, foi incorporado ao Ministério do Desenvolvimento Regional. O titular da pasta é Gustavo Canuto.

Quem é atendido

Faixa 1

O financiamento é feito em até 120 meses, com prestações que vão de R$ 80 a R$ 270, dependendo da renda bruta familiar, que precisa ser de até R$ 1.800. A União banca até 90% do valor do imóvel.

Faixa 1,5

É oferecido para famílias com renda de até R$ 2.600. O imóvel é financiado pela Caixa com juros de 5% ao ano e prazo de até 30 anos para pagar. Os subsídios, pagos pelo FGTS, são de até R$ 47.500.

Faixa 2

Assim como na faixa 1,5, os subsídios, de até R$ 29.000, são bancados pelo FGTS. A faixa atende famílias com renda até R$ 4.000

Faixa 3

Não há subsídios, mas as taxas de juros são melhores do que as do mercado. É oferecidos para famílias com renda até R$ 9.000.

Como eram feitos os contratos

A iniciativa dos empreendimentos para a faixa 1 partia das construtoras. Depois de serem aprovados, eram contratados pela Caixa, e as prefeituras ficavam responsáveis pela ocupação das unidades. Os beneficiários eram escolhidos por sorteio.

A maior crítica do modelo diz respeito à localização dos imóveis. Como as construtoras não precisavam atrair os compradores finais e o pagamento era garantido pelo governo, elas buscavam terrenos mais baratos, distante dos centros das cidades. As famílias ficavam privadas do acesso aos serviços de transporte, educação e saúde.

Outros problemas

Inadimplência

A faixa 1, com unidades bancadas quase inteiramente pela União, apresentava elevada inadimplência, que superava 20%. O número é considerado alto se comparado às operações tradicionais de crédito habitacional e às outras faixas do próprio programa. Segundo o trabalho “O Programa Minha Casa Minha Vida e as Tecnologias de Microcrédito”, de Lucas Ambrózio e Lauro Gonzalez, o programa não soube “dialogar” com tecnologias de crédito e pobreza, como as experiências de microcrédito, para evitar o problema.

Violência

Várias pesquisas identificaram o controle de conjuntos habitacionais por facções criminosas e milícias. Ameaçadas, famílias chegaram a ser expulsas de suas casas. Por conta da burocracia, também não conseguiam vender os imóveis aos quais não podiam voltar por medo.

As mudanças já feitas

Sem a previsão de novos investimentos, a faixa 1 tende a desaparecer do Minha Casa Minha Vida sob o governo Bolsonaro. Mas não é o único perfil a ser afetado. Em agosto, o governo reduziu pela metade (de R$ 900 milhões para R$ 450 milhões) o valor dos subsídios do FGTS para as faixas 1,5 e 2 do programa (para famílias com renda de R$ 1.800 a R$ 4.000).

No mês seguinte, houve novas mudanças nas regras. Até então, o governo subsidiava 10% dos imóveis nas faixas 1,5 e 2, sendo os 90% restantes pagos com recursos do FGTS. Em setembro, porém, o governo decidiu deixar de arcar com os 10% e definiu, por meio de uma portaria, que 100% seriam bancados com o FGTS.

As propostas do governo

O governo estuda implementar um programa que ofereça vouchers (vale com um crédito) para famílias que ganham até R$ 1.200, menos do que a faixa 1. Esse vale poderia ser usado para comprar unidades prontas, construir ou reformar. A ideia é voltada para a população urbana que vive em áreas sem infraestrutura adequada.

O valor, segundo o governo, dependeria do mercado imobiliário de cada cidade, mas o Ministério do Desenvolvimento Regional afirmou trabalhar com uma média de R$ 60 mil. O programa também priorizaria municípios de até 50 mil habitantes.

Mas o governo não desistiu da faixa 1. Uma das propostas que está sendo discutida é fazer uma parceria com as prefeituras, que doariam os terrenos para as obras. Eles teriam que estar em áreas com infraestrutura de água e esgoto, por exemplo. Isso reduziria 30% os custos da União com o programa, segundo o governo.

Fonte: Nexo Jornal

Deixe seu comentário