Distratos caíram e vendas aumentaram em 2017

O mercado imobiliário parece começar a esboçar uma reação. Segundo pesquisa divulgada ontem pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), a venda líquida aumentou 127% no ano passado em comparação com 2016.

O faturamento foi de R$ 2,5 bilhões, ante R$ 1,1 bilhão do ano anterior, em Goiânia e Aparecida de Goiânia. De acordo com o vice-presidente da Ademi-GO, Fernando Razuk, o crescimento de 40% nas vendas e a redução de 23% nos distratos possibilitaram um horizonte melhor, inclusive para 2018. “Não quer dizer que está ótimo, mas que o mercado superou a crise mais profunda”, frisa.

A queda durante a crise foi de 70%, a média de 14 mil unidades vendidas passou para 4 mil. Diante das reações da economia, o setor até esperava uma recuperação maior, mas o freio nos distratos teve peso importante. “Entre 2011 e 2012, tivemos volume grande de lançamentos que começaram a ser entregues em 2014, em plena crise. O consumidor tentou tomar crédito e os bancos restringiram, o que gerou os distratos.”

A valorização dos imóveis também reduziu. Quando o cenário estava aquecido, ela era de 20% e passou para 5% ao ano, o que desencorajou investidores. Agora, como o volume de entregas diminuiu, há mais crédito disponível. “A queda de juros faz com que caia o valor das parcelas, os bancos voltem a conceder mais crédito imobiliário e as aplicações financeiras estão rendendo menos”, analisa. Razuk acredita que não vai faltar crédito e o consumidor será encorajado a investir.

“O momento é propício, as incorporadoras ainda estão em geral com flexibilidade na venda, o que tende a diminuir com o mercado aquecido.” Para o analista de logística, João Maria Nogueira de Sousa, de 23 anos, o momento favoreceu a compra do primeiro imóvel para investir. “O pagamento foi facilitado com parcelamento da entrada. Terei um retorno melhor do dinheiro”, diz.

Flexibilidade

Essa flexibilidade ocorreu porque o estoque subiu, ultrapassou as 11 mil unidades em 2016 e passou para 10,2 mil no ano passado. Com melhora nas vendas e sem tantos lançamentos, poderemos ter nos próximos anos outro reflexo, a dificuldade de encontrar unidades novas. Isso é o que defende o presidente do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias (Secovi), Ioav Blanche.

“Como a demanda ficou reprimida, vai acontecer de ter pouco apartamento novo para vender. Se o mercado voltar ao normal, em seis meses consome o estoque. Entre lançamento e entrega são três anos”, pontua. Enquanto em 2010 foram lançadas 11,5 mil unidades, o número caiu para 2,8 mil, em 2016, e fechou o ano passado em 2,6 mil. “O estoque é maior para dois e três quartos, o que mais se produz e menos se lançou.”

Fonte: O Popular

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